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Internacional

Líbano ordena prisão domiciliar para as autoridades portuárias

Tragédia registra ao menos 135 mortes e mais de 5.000 feridos. O número de vítimas deve aumentar

por FolhaPress

06/08/2020 - 05h00

Embarcações foram deslocadas pela força da explosão quando estavam atracadas no porto

O governo do Líbano ordenou nesta quarta-feira (5) a prisão domiciliar de autoridades do porto de Beirute onde ocorreu uma mega-explosão na terça. 

O governo suspeita que houve negligência por parte das autoridades responsáveis pelas operações de armazenamento e segurança do local. A tragédia já registrava ao menos 135 mortes e mais de 5.000 feridos, até as 20h de ontem. O dia foi tomado para tentar encontrar sobreviventes entre os escombros. Mesmo assim o que mais se viu foram corpos sendo encontrados. O número de vítimas deve aumentar, pois são feitas buscas em meio aos escombros e há suspeitas de que corpos foram lançados ao mar, por causa da intensidade da explosão.

O governo atribuiu a tragédia ao armazenamento incorreto de 2.750 toneladas de nitrato de amônio, um fertilizante com alto poder explosivo. 

Essa carga estava armazenada em um galpão junto ao porto há mais de seis anos. O material chegou ao Líbano em setembro de 2013, segundo dados oficiais obtidos pela Al Jazeera (leia mais ao lado).

O presidente Michel Aoun disse estar determinado a investigar e revelar o que aconteceu o mais rápido possível, assim como responsabilizar os culpados.

O governo anunciou também que Beirute ficará em estado de emergência por ao menos duas semanas.

Como a explosão danificou muitas casas e prédios, cerca de 300 mil pessoas ficaram desabrigadas. O prejuízo pode superar US$ 5 bilhões (R$ 26,4 bi), segundo o governador Marwan Abboud.

Diversos países, além do Brasil (leia abaixo), como Estados Unidos, Reino Unido, França e Irã, ofereceram ajuda ao Líbano.

O país atravessa sua pior crise econômica em décadas, marcada por depreciação monetária sem precedentes, hiperinflação, demissões em massa e restrições bancárias drásticas, que alimentam há vários meses o descontentamento social.

BRASILEIROS

De acordo com o Itamaraty, não houve relatos de brasileiros mortos ou gravemente feridos.

O Líbano tem uma grande comunidade com laços com o Brasil: há mais descendentes e parentes de libaneses em solo brasileiro (entre 7 e 10 milhões) do que libaneses no país de origem (7 milhões).

 

Possível causa: toneladas de fertilizantes

Cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amônio, um fertilizante com alto poder explosivo, estavam armazenadas no Porto.

O material chegou ao Líbano em setembro de 2013, em um navio de propriedade russa que ia da Geórgia para Moçambique. A embarcação teve problemas técnicos e fez uma parada em Beirute. Como o navio estava avariado, autoridades libanesas o impediram de seguir viagem. Com isso, os tripulantes abandonaram o barco e foram depois repatriados.

Eles deixaram o navio por medo de que pudesse haver uma explosão a bordo, dado o risco da carga transportada, segundo documentos obtidos pela rede de televisão árabe Al Jazeera.

O material então foi colocada em um armazém no porto.

Ao longo dos últimos anos, chefes da alfândega libanesa enviaram ao menos seis cartas à Justiça e a outras autoridades pedindo que fosse dado um destino ao material, mas não obtiveram respostas.

Houve sugestões para que o composto fosse vendido ou doado ao Exército e avisos do risco que foram ignorados.

Os danos

Além dos mortos e feridos, cerca de 300 mil pessoas ficaram desabrigadas após a explosão. Os danos se estenderam a mais da metade da área da capital libanesa e são estimados em US$ 3 bilhões (quase R$ 16 bilhões). A tragédia pode afetar também o abastecimento de comida no país, pois o porto de Beirute era a principal entrada de produtos do país.

Havia silos de cereais perto do local da explosão, e milhares de toneladas se perderam. O governo disse que tem estoques de trigo para um mês de consumo do país, o que deve ser suficiente para evitar crise maior.

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