Bauru e grande região

Internacional

Donald Trump está acuado nos EUA

Pressão por saída e banimento do Twitter transformam em 'inferno" os dias finais de Trump à frente da Casa Branca

por FolhaPress

10/01/2021 - 05h00

Aubrey Gemignani

O presidente Donald Trump cada vez mais criticado

Nova York - Após ser banido permanentemente do Twitter, o presidente americano Donald Trump usou a conta presidencial —denominada @POTUS— para escrever aos seguidores sobre uma plataforma alternativa. Porém, as mensagens foram imediatamente deletadas pela própria plataforma. O Twitter confirmou à rede de TV CNN que apagou os quatro posts publicados por Trump. "Como dissemos, usar outra conta para tentar escapar de uma suspensão é contra nossas regras", disse um porta-voz do Twitter à CNN norte-americana. Na noite de sexta-feira (8) ele foi banido definitivamente da rede social que mais usou em toda sua história como candidato e presidente dos EUA.

A dias do fim do mandato do republicano, ninguém mais acredita em uma transformação do líder americano mais controverso da história recente do país. Trump está acuado, sob a nuvem de um afastamento, seja por impeachment ou pelo uso da 25ª Emenda constitucional, ainda que alguns queiram que ele facilite o processo e renuncie.

Os pedidos mais estridentes vêm, claro, dos democratas, que passaram a aventar a possibilidade de tirar Trump do poder no minuto seguinte à insurreição protagonizada por apoiadores do presidente e insuflada pelo próprio.

Nesta sexta (8), Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes, voltou a defender que o vice Mike Pence e ao menos metade do gabinete do governo acionem o dispositivo previsto na Constituição que permitiria a saída imediata de Trump do poder sob a justificativa de incapacidade.

Como nem Pence nem secretários da Casa Branca demonstraram publicamente disposição para tal, ela repetiu a ameaça de abrir um processo de impeachment, embora a viabilidade de conclusão dessa ação, devido ao curto tempo até que Joe Biden assuma a Presidência e à composição do Congresso, seja improvável.

De acordo com a rede de notícias CNN, citando uma pessoa próxima ao assunto, o primeiro esboço de um processo de afastamento de Trump teria, neste momento, o apoio de 131 membros do Partido Democrata, número superior ao que havia a esta mesma altura em 2019, quando um impeachment do presidente foi aprovado na Câmara.

Atualmente, os democratas têm maioria na Casa, mas os republicanos possuem maioria no Senado até que os dois novos senadores eleitos pela Geórgia tomem posse. Isso deve ocorrer nas próximas semanas, mas a data ainda não está definida.

A pressão sobre Trump, no entanto, não vem apenas do lado rival. Lisa Murkowski, do Alasca, foi, não apenas a primeira senadora do Partido Republicano a defender em público e de forma inequívoca que o correligionário saia, como sugeriu deixar a legenda caso os colegas continuem alinhados a ele.

A ameaça de defecção, acompanhada de declarações fortes --"Ele já causou danos suficientes, ele só quer ficar pelo título, por causa de seu ego"--, vem num momento de fragilidade do partido no Senado. Com a eleição de dois democratas na Geórgia, a maioria na Casa agora é democrata, já que a composição agora está empatada entre as legendas, e o voto de minerva é da futura vice, Kamala Harris.

Ler matéria completa