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'Impeachment é continuação da maior caça às bruxas da história', diz Trump

Prestes a ter o segundo pedido de impeachment aprovado, americano diz que emenda 'voltará para assombrar Biden'

por André Marinho e Gabriel Bueno da Costa

13/01/2021 - 05h00

Fotos Públicas/via Casa Branca

Trump disse não ter incitado violência no Capitólio, onde, após confrontos, cinco pessoas morreram, mas admitiu que impeachment lhe causa "tremenda raiva"

Washington - Na primeira declaração à imprensa após os protestos violentos no Congresso americano na última quarta-feira, dia 6, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (12) que seu objetivo nunca foi incitar a violência e criticou o processo de impeachment do qual é alvo na Câmara dos Representantes.

"É a continuação da maior caça às bruxas da história", disse, antes de embarcar para viagem ao Texas, onde visita as construções do muro na fronteira com o México. O republicano acrescentou que o impeachment está causando "tremenda raiva". Questionado sobre a decisão das redes sociais de bani-lo depois dos atos, o líder da Casa Branca argumentou que as "big techs fizeram um grande erro".

25a EMENDA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 12, não temer que a 25ª Emenda da Constituição possa ser usada para afastá-lo do poder. Nos dias finais de seu mandato, ele comentou que essa emenda "voltará para assombrar Joe Biden e o governo Biden".

A 25ª Emenda da Carta americana pode ser invocada pelo vice-presidente, com o apoio da maior parte do gabinete, para afastar o presidente, caso este seja considerado incapaz de seguir no posto.

O expediente tem sido mencionado nos EUA, após Trump ser acusado pela oposição de incitar os protestos na semana passada que culminaram na invasão do Capitólio. Mais cedo, ele disse que nunca teve a intenção de incitar a violência.

MURO

Trump também é alvo de uma tentativa de impeachment dos democratas na Câmara dos Representantes. Ele deixa o poder no dia 20, quando Biden assume, mas um impeachment pode impedi-lo de ocupar de novo cargos públicos.

Em sua fala tentou soar mais conciliador em alguns momentos. "O momento agora é de nosso país se curar e de paz, calma e respeito pelas forças de segurança", argumentou. "Acreditamos no império da lei, não da violência".

No evento desta terça, Trump celebrava o fato de que seu governo havia construído 450 milhas (720 quilômetros) de muro. O presidente acusou o próximo governo de ter a intenção de derrubar a estrutura. "Os democratas querem retirar o muro da fronteira, espero que não façam isso", comentou.

Entenda o que pode ocorrer

Após o vice-presidente americano, Mike Pence, ignorar o prazo dado pelos democratas para invocar a 25.ª Emenda da Constituição para afastar Donald Trump do cargo, os Estados Unidos caminham na noite desta terça-feira (12) para um inédito segundo processo de impeachment contra um presidente. O processo deve ser aprovado.

O pedido dos democratas era uma forma de pressionar Pence a afastar o presidente de forma menos burocrática. Seria uma resolução mais rápida do que enfrentar todos os prazos e trâmites do Congresso logo no início do mandado de Joe Biden. 

No segundo impeachment que enfrentará, Trump será acusado de "incitar a insurreição". Na Câmara, uma maioria simples de 218 votos é suficiente para aprovar o pedido - ou menos, se houver ausências no plenário. Os democratas contam com 222 cadeiras. No entanto, mesmo que a Câmara aprove o impeachment, a Constituição dos EUA diz que o processo para tirar o presidente do cargo também deve ser votado pelo Senado.

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