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Internacional

Biden toma posse falando em paz e união

"A política não precisa ser fogo que queima e destrói tudo em seu caminho", afirma o novo presidente dos Estados Unidos

por Agência Brasil

21/01/2021 - 05h00

Veículo de comando tático operado por agentes da Proteção de Fronteiras dos EUA

Washington - Joe Biden assumiu nesta quarta-feira (20) como o 46º presidente dos Estados Unidos em uma cerimônia com limitações provocadas pela pandemia de Covid-19 e com forte esquema de segurança, após o ataque ao Capitólio no início do mês. A chapa democrata composta por ele a vice-presidente, Kamala Harris, obteve os votos de 306 delegados contra 232 de Donald Trump.

Com a mão em uma Bíblia de 12,7 centímetros de espessura que está em sua família há 128 anos, Biden recitou as 35 palavras do juramento de "preservar, proteger e defender a Constituição" em uma cerimônia conduzida pelo juiz-chefe da Suprema Corte, John G. Roberts Jr., concluindo o processo às 11h49 (horário de Washington), 11 minutos antes de a presidência formalmente mudar de mãos.

CONCILIADOR

Biden chega à presidência com a missão de unificar os Estados Unidos. Em tom conciliador, repetiu em vários momentos de seu discurso de posse que será o presidente de "todos os americanos", "tanto para os que votaram em mim quanto para os que não votaram".

"Hoje é o dia da democracia", disse Biden ao iniciar seu discurso. "A política não precisa ser fogo que queima e destrói tudo em seu caminho", afirmou. "Nós precisamos ser diferentes disso. Nós precisamos ser melhores que isso", completou.

Em seu discurso, ressaltou os efeitos do novo coronavírus, que provocou morte de centenas de milhares de americanos e afetou a economia, e as mudanças climáticas como desafios da sua administração. Biden ressaltou ainda que é momento de união para enfrentar inimigos como raiva, ódio, extremismo, violência, doença, desemprego e desesperança.

"Superar esses desafios, restaurar a alma e garantir o futuro da América exige muito mais do que palavras e requer o mais elusivo de todas as coisas em uma democracia: a unidade", argumentou Biden.

O presidente afirmou ainda que "a política não precisa ser um fogo violento, destruindo tudo em seu caminho". "Cada desacordo não tem que ser uma causa para uma guerra total. E devemos rejeitar a cultura em que os próprios fatos são manipulados e até fabricados", disse.

SEGURANÇA

A cerimônia foi marcada por uma limitação de pessoas em virtude da pandemia de covid-19, que já provocou a morte de mais de 400 mil pessoas nos Estados Unidos. Além disso, o ataque ao Capitólio no dia 6 de janeiro fez com que a prefeitura de Washington reforçasse a segurança da cidade. Na tarde ontem, 25 mil membros da Guarda Nacional aguardavam a chegada de Biden, mais que o dobro do efetivo de cerimônias passadas.

Apesar da tensão nos dias anteriores, a cerimônia foi marcada por um clima de tranquilidade. Cerca de mil pessoas compareceram ao evento. Na área onde ficariam espectadores e convidados, 200 mil bandeiras americanas foram cravadas nos gramados do local. Os ex-presidentes americanos Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama participaram da cerimônia. O ex vice-presidente Mike Pence também compareceu à transmissão de cargo.

A cerimônia teve apresentação de Lady Gaga, que cantou o Hino Nacional americano e a artista Jenifer Lopez cantou This is Your Land e America the Beautiful, em um gesto à comunidade latina, falou em espanhol durante a música: "Liberdade e justiça para todos!" O ícone da música country, Garth Brooks fez o último número musical da tarde, cantando "Amazing Grace", uma espécie de hino, à capela (sem uso de instrumentos). 

Quem é Biden

lJoseph Robinette Biden Jr, conhecido como Joe Biden Jr. nasceu em 20 de novembro de 1942, em Scranton, na Pensilvânia. O democrata é um advogado e político norte-americano, e foi vice-presidente de Barack Obama de 2009 a 2017.

lAos 78 anos, Biden obteve 81,2 milhões de votos em uma disputa acirrada, marcada pelo recorde de eleitores e a intensa polarização política.

lEntre 1973 e 2009, Biden exerceu seis mandatos consecutivos como senador pelo estado de Delaware.

A vida de Biden foi marcada por tragédias pessoais.

lEm 1972 ele perdeu sua primeira esposa, Neila, e sua filha, Naomi, em um acidente de carro, no qual seus outros filhos Beau e Hunter também ficaram gravemente feridos.

lBiden casou-se novamente em 1977, com Jill Tracy Biden. Joe e Jill Biden têm uma filha, Ashley, nascida em 1981.

lEm 2015, seu filho Beau morreu, aos 46 anos, de câncer no cérebro. Ashley e Hunter estavam na cerimônia, ontem. Beau exigiu, antes de morrer, que o pai prometesse que iria se candidatar.

Vice já faz história por ser a primeira mulher e pessoa nega a ocupar o cargo

Erin Scott/Reuters

Kamala Harris e o marido Douglas Emhoff: função redobrada

 Senadora pela Califórnia, Kamala Harris será a primeira mulher e a primeira pessoa negra a ser vice-presidente dos Estados Unidos. No cargo, ela também acumulará a posição de presidente do senado.

Nascida em 20 de outubro de 1964, Kamala Devi Harris é formada em artes pela Universidade de Howard e em direito pela Faculdade de Direito Hastings da Universidade da Califórinia. Kamala Harris foi eleita procuradora-geral da Califórnia em 2010, reelegendo-se em 2014. Em 2016, elegeu-se senadora pela Califórnia. A vice-presidente é casada desde 2014 com o advogado Douglas Emhoff e não tem filhos.

Com o Senado dividido igualmente entre democratas e republicanos (50 cadeiras para cada partido), Kamala Harris terá o voto decisivo em muitos momentos cruciais, já que enquanto o vice-presidente exerce o poder de desempate. Um de seus primeiros atos oficiais no cargo será dar posse aos novos senadores democratas, Rapahel Warnock, Jon Ossoff.

Líderes mundiais celebram retorno dos EUA ao Acordo de Paris

Líderes mundiais, como o presidente do Canadá, Justin Trudeau, e o primeiro-ministro da Israel, Benjamin Netanyahu, foram ao Twitter cumprimentar o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e sua vice, Kamala Harris. O presidente da França, Emmanuel Macron, aproveitou a mensagem para celebrar o retorno dos americanos ao Acordo de Paris, uma promessa de campanha dos democratas.

"Muitas felicidades neste dia tão significativo para o povo americano! Estamos juntos. Estaremos mais fortes para enfrentar os desafios do nosso tempo. Mais fortes para construir nosso futuro. Mais fortes para proteger nosso planeta. Bem-vindos de volta ao Acordo de Paris!", publicou Macron na rede social.

Biden deve assinar a ordem executiva devolvendo os EUA ao Acordo de Paris, que combate as mudanças climáticas, ainda nesta quarta-feira.

Em sua publicação, Trudeau lembrou que EUA e Canadá são parceiros históricos. "Estou ansioso para continuar essa parceria com você, Biden, Kamala Harris e sua administração", publicou. Já Netanyahu, ao parabenizar os empossados, disse esperar trabalhar junto ao novo líder da Casa Branca e citou o Irã como uma "ameaça" e um "desafio comum".

O Alto Representante da União Europeia (UE) Josep Borrell saudou "a intenção do presidente de se envolver com o mundo mais uma vez". "A UE espera abrir um novo capítulo das relações transatlânticas e trabalhar em conjunto na resolução das 'crises em cascata da nossa era'", escreveu no Twitter.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, também se manifestou sobre o novo governo, mas não citou a chapa eleita Ele apenas escreveu que a administração do agora ex-presidente Donald Trump é "relegado à história em desgraça". "Talvez o novo pessoal em Washington tenha aprendido", concluiu.

Mais cedo, outras lideranças mundiais como o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, também se manifestaram.

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