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Internacional

Mais de 800 pessoas são presas em operação mundial do FBI

Agência americana distribuiu celulares criptografados para criminosos durante 3 anos pelos EUA, Europa e Oceania

por FolhaPress

09/06/2021 - 05h00

Dean Lewins/via Reuters

Primeiro-ministro australiano Scott Morrison apresenta balanço da operação no país

Londres - Uma enorme operação internacional contra o crime organizado levou à prisão de mais de 800 pessoas em 17 países depois que os agentes conseguiram descriptografar comunicações entre suspeitos que, sem saber, usaram telefones distribuídos pelo FBI, a polícia federal americana.

Em entrevista coletiva nesta terça-feira (8), o vice-diretor de operações da Europol, Jean Philippe Lecouffe, disse que as centenas de detenções ocorreram durante buscas em mais de 700 lugares em países como Nova Zelândia, Austrália, Estados Unidos, Alemanha, Itália, Suécia e Holanda.

Também foram apreendidos US$ 48 milhões (R$ 242 milhões) em dinheiro e criptomoedas, mais de oito toneladas de cocaína, 22 toneladas de maconha, duas toneladas de drogas sintéticas, 250 armas e 55 carros de luxo.

MILHARES DE MENSAGENS

A partir de 27 milhões de mensagens de mais de 12 mil dispositivos em 100 países, foram descobertos detalhes das atividades criminosas de mais de 300 grupos organizados, incluindo a máfia italiana, as tríades asiáticas e quadrilhas transnacionais para o tráfico de drogas.

A operação Escudo de Troia começou em 2018 e envolveu cerca de 9.000 policiais. Naquele ano, o FBI ofereceu a um ex-traficante de drogas que também era desenvolvedor de softwares para smartphones a oportunidade de ter sua sentença reduzida e US$ 100 mil (R$ 504 mil, na cotação atual) para cobertura de despesas.

SMARTPHONES

O informante havia sido preso no contexto de outra operação em que as autoridades desmontaram uma rede de smartphones criptografados conhecidos como Phantom Secure. Por pelo menos uma década, criminosos usaram esses telefones para planejar o tráfico de drogas, ataques a rivais e lavagens de dinheiro. O sistema permitia que o conteúdo dos dispositivos fosse apagado remotamente em caso de apreensão.

Quando eles saíram de circulação, o FBI decidiu lançar seu próprio smartphone, chamado Anom, infiltrando um recurso que permitiria que os agentes descriptografassem e armazenassem cada mensagem assim que ela fosse transmitida.

AUSTRÁLIA

Ainda em 2018, investigadores e analistas da polícia federal australiana se reuniram com o FBI. "Como você sabe, algumas das melhores ideias surgem com algumas cervejas", disse o comissão da agência australiana, Reece Kershaw, nesta terça.

O desenvolvedor que se tornou informante aceitou a oferta do FBI e entrou em contato com seus antigos fornecedores, que visavam aumentar sua operação na Austrália. Estes, por sua vez, compraram 50 celulares Anom, que foram usados, de acordo com a polícia australiana, para atividades criminosas em 100% dos casos.

Os telefones celulares, que eram adquiridos no mercado clandestino por cerca de US$ 2.000 (R$ 10,1 mil), não tinham email, não faziam chamadas comuns nem estavam conectados a sistemas de GPS. Além disso, era necessário um código enviado por outro dispositivo Anom, de modo que quem quisesse usar um dos aparelhos precisaria conhecer previamente outro usuário.

Entenda a investigação

"Os aparelhos circulavam organicamente e se tornaram populares entre os criminosos, que confiavam na legitimidade do aplicativo porque figuras reconhecidas do crime organizado o defendiam", disse a polícia da Austrália em um comunicado, ainda nesta terça-feira.

Segundo Kershaw, os criminosos andavam "com a polícia federal no bolso" e usavam os telefones sem moderação, muitas vezes sem usar palavras em código e compartilhando fotos de grandes remessas de drogas e detalhes de como seriam transportadas.

Só na Austrália, pelo menos 21 planos de assassinato foram interrompidos graças ao Anom, diz o comissário.

No total, segundo o FBI, mais de 100 vidas sob ameaça foram salvas, imediatamente na hora da ação.

Foram três anos de investigações em que os usuários achavam que não seriam rastreados.

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