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Internacional

Libaneses têm novo governo

Em crise, o Líbano estava há mais de um ano sem premiê e ministros

11/09/2021 - 05h00

Najib Mikati, de 65 anos, é bilionário das telecomunicações

Beirute - Lideranças do Líbano formaram nesta sexta-feira (10) um novo governo, depois de mais de um ano sem um gabinete devidamente estabelecido e apto para dirigir o país. O período foi marcado pela pior crise política e econômica desde a guerra civil de 1975 a 1990 e teve como gatilho a explosão catastrófica em Beirute em agosto de 2020.

O novo primeiro-ministro é Najib Mikati, 65, um bilionário do setor das telecomunicações. Indicado ao cargo no final de julho, o magnata levou seis semanas -e ao menos dez reuniões com o presidente Michel Aoun- para conseguir completar a equipe de 24 ministros que agora devem administrar o país sob sua liderança.

Seu antecessor, Hassan Dian, renunciou seis dias após a tragédia na capital. Antes de Mikati, outros dois nomes incumbidos da mesma tarefa -Mustapha Adib e Saad Hariri- falharam na missão em meio ao complexo sistema libanês de divisão sectária do poder.

Cada grupo religioso no país tem direitos políticos específicos. O presidente é sempre um cristão maronita, enquanto o premiê é muçulmano sunita e o líder do Parlamento é muçulmano xiita. As tensões entre os grupos, contudo, são constantes, e, ao longo do último ano, impuseram-se como obstáculos à formação do gabinete.

Seguindo a tradição, Aoun (cristão maronita) e Mikati (muçulmano sunita) assinaram nesta sexta o decreto que estabelece o novo governo na presença do presidente do Parlamento, Nabih Berri (muçulmano xiita). A primeira reunião oficial entre o premiê e seus ministros está marcada para a próxima segunda-feira (13).

A estabilidade que o governo libanês almeja alcançar é crucial para o avanço de reformas que possam ajudar o país a emergir do colapso econômico que o Banco Mundial descreveu como um dos três piores do mundo desde o século 19.

Nos últimos dois anos, a libra libanesa perdeu mais de 90% de seu valor em relação ao dólar americano, o desemprego foi às alturas e a pobreza arrastou 78% da população.

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