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Na Argentina a oposição obtém maioria de votos em primárias

Alberto Fernández, atual presidente, recebe duro recado das urnas; primárias antecedem eleições gerais em novembro

14/09/2021 - 05h00

Agustin Marcarian/Reuters

Disputa dos votos de deputados e senadores foi amarga: "fizemos algo errado" admite Fernández

Buenos Aires - Com mais de 98% das urnas apuradas, a coalizão 'Juntos por el Cambio' (Juntos pela Mudança, em tradução livre), que reúne opositores ao governo do presidente da Argentina, Alberto Fernández, tinha 41,50% dos votos para deputados e 45,37% para senadores nas primárias legislativas do país, segundo contagem de votos do jornal Clarín. As primárias antecedem as eleições gerais marcadas para novembro deste ano.

O partido 'Frente de Todos', de Fernández, aparecia em segundo lugar em ambas as disputas, com 31,80% dos votos para deputados e 29,01% para senadores.

Ao todo, os pré-candidatos da 'Juntos por el Cambio' lideravam as preliminares para a eleição de deputados em 14 das 23 províncias argentinas, enquanto os da Frente de Todos apareciam na frente em sete regiões. Nas províncias de Neuquén e Rio Negro, movimento políticos locais lideravam a disputa.

Na prévia para o Senado, o Clarín informava vitória parcial da oposição em seis províncias, enquanto a Frente de Todos liderava em duas subdivisões do território argentino.

Embora a votação na prática defina apenas quais candidatos poderão concorrer no pleito, a ser disputado em 14 de novembro, o resultado é considerado um termômetro da gestão. Se o resultado for confirmado na eleição de novembro, a Juntos se tornará a principal força na Câmara de Deputados, embora com maioria simples. Os peronistas manteriam a maioria simples no Senado.

"A derrota é mais de Fernández do que dos peronistas. O desgaste é dele, cuja aprovação vem caindo devido a erros muito particulares, notadamente a administração da pandemia e da economia", diz Mariel Fornoni, diretora do instituto de pesquisas Management & Fit.

"Existe, ainda, uma reprovação envolvendo algo que recai apenas sobre sua pessoa: a culpa por uma festa de aniversário da primeira-dama durante a pandemia, contrariando seu próprio decreto. Os números mostram que a votação ruim dos candidatos peronistas acompanhou seu desgaste como líder."

OLIVOS-GATE

O evento, realizado na residência oficial da Presidência, se deu no momento de restrições mais agudas à circulação de pessoas no país, para conter a disseminação do vírus. Uma foto que vazou do que ficou conhecido como Olivos-gate levou Fernández primeiro a mentir e depois a ter de pedir desculpas publicamente.

Na tarde desta segunda, em um evento na Casa Rosada, o presidente argentino assumiu o resultado ruim. "Fizemos algo errado e precisamos entender o que foi", disse.

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