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Internacional

EUA não querem nova Guerra Fria

Em apelo à paz, Joe Biden alfineta a China em discurso na ONU e Xi Jinping rebate citando o fracasso no Afeganistão

por FolhaPress

22/09/2021 - 05h00

Reuters

Biden focou em fóruns multilaterais abandonados por Trump

Nova York - Sem citar especificamente seu principal rival político e econômico, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou em seu discurso na 76ª Assembleia-Geral da ONU que o país não procura uma nova Guerra Fria, mas deu uma série de recados à China.

"Não estamos procurando, vou repetir, não estamos procurando uma nova Guerra Fria, ou um mundo dividido em blocos rígidos", afirmou o presidente americano.

Antes, porém, ele afirmou que o país defende a liberdade de navegação, em referência às reivindicações chinesas pelo Mar do Sul da China; se posicionou contra ataques cibernéticos, que o país também acusa a China de coordenar; e citou Xinjiang, região de minoria muçulmana onde os EUA acusam a China de genocídio, como um dos pontos de preocupação de violações de direitos humanos.

FRANÇA

Biden enfrenta pressão internacional liderada pela França, após anunciar uma coalizão com a Austrália para conter os avanços regionais da China. O acordo significou o fim de uma parceria australiana com a França, o que foi visto pelo governo Macron como uma "punhalada nas costas" feita pelos Estados Unidos e convocou seu embaixador no país. Macron não compareceu à Assembleia.

Com a desconfiança europeia, o presidente usou a fala, seu primeiro discurso em uma Assembleia-Geral como presidente, para reafirmar que o país voltou às discussões mundiais depois que Donald Trump abandonou fóruns multilaterais.

Apesar do presidente da sessão, o chanceler das Maldivas, Abdulla Shahid, pedir que os líderes limitassem suas falas a 15 minutos, Biden falou por por mais de 30 minutos, e foi aplaudido ao final, ao fazer um apelo por uma ação conjunta. "Nós vamos escolher construir um futuro melhor. Nós, vocês e eu", disse.

Xi Jinping critica a intervenção norte-americana no Afeganistão

Em recado aos Estados Unidos, mas, também, sem citar o país nominalmente, o líder chinês, Xi Jinping, criticou o intervencionismo americano em outras nações em seu discurso na 76ª Assembleia-Geral da ONU nesta terça-feira (21).

O líder do regime comunista chinês usou, também sem dizer o nome do país, o exemplo da turbulenta retirada das tropas americanas do Afeganistão após 20 anos de ocupação militar. "Episódios recentes no cenário internacional mostram, mais uma vez, que a intervenção militar estrangeira e a chamada 'transformação democrática' podem não trazer resultado nenhum além de dano", disse, referindo-se implicitamente ao retorno do Taleban ao poder no país.

O líder disse ainda que "democracia não é um direito especial reservado a um país" para intervir em outros países.

METAS CLIMÁTICAS

presidente da China, Xi Jinping, afirmou na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) que seu país irá ajudar outras nações em desenvolvimento a buscar a transição para a economia de baixo carbono, destacando o objetivo chinês de zerar as emissões até 2060. Entre as ajudas, Xi citou a suspensão de dívidas de países em desenvolvimento.

"Temos de revitalizar a economia e criar desenvolvimento mais sustentável", afirmou o presidente chinês, indicando a necessidade de um sistema "mais balanceado" e destacando como meta a intenção do país de não construir mais usinas de carvão no exterior. Segundo Xi, o país fará "de tudo" para alcançar suas metas climáticas.

Argentina reclama de 'endividamento tóxico'

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, criticou  na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o que chamou de endividamento "tóxico" e "irresponsável" do país com o Fundo Monetário Internacional(FMI)

Durante seu discurso, o mandatário disse que a dívida externa contraída pelo governo de seu antecessor, Mauricio Macri, com o órgão é "insustentável". O chefe da Casa Rosada defendeu a necessidade de uma "reconfiguração" da arquitetura financeira global para que a reestruturação das dívidas soberanas seja feita de forma mais "sustentável".

Sobre a crise de saúde, Fernández disse que as vacinas contra a covid-19 deveriam ser bens públicos globais. O líder argentino também afirmou há "três pandemias" atualmente no mundo: a do coronavírus, a da desigualdade social e da mudança climática. Ele reiterou ainda o compromisso do país sul-americano com o Acordo de Paris.

PERU

O presidente do Peru, Pedro Castillo, afirmou também na 76ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) que seu governo é democrático. Durante seu discurso, o líder peruano se comprometeu em melhorar a justiça social no país latino-americano.

"Vamos avançar na gestão macroeconômica responsável para melhorar a redistribuição de renda", prometeu Castillo. Na visão do mandatário, o Peru precisa de uma "transformação social" para que a população tenha direitos.

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