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Covid: 'Mundo está entrando em quarta onda', diz diretora da OMS

Na Alemanha, 67,9% da população já tomou as duas doses, mas a aplicação diminuiu e está estagnada há semanas

por Agência Brasil

23/11/2021 - 05h00

Lucas Barth/Reuters

Policiais na fronteira com a Áustria conferem vacinação

Brasília - O  mundo está entrando em uma quarta onda da pandemia do novo coronavírus. A avaliação é da diretora-geral adjunta de acesso a medicamentos e produtos farmacêuticos da Organização Mundial da Saúde (OMS), a brasileira Mariângela Simão. Ela abordou a situação da pandemia em conferência na abertura no Congresso Brasileiro de Epidemiologia.

"Estamos vendo a ressurgência de casos de Covid-19 na Europa. Tivemos nas últimas 24 horas mais de 440 mil novos casos confirmados. E isso que há subnotificação em vários continentes. O mundo está entrando em uma quarta onda, mas as regiões têm tido um comportamento diferente em relação à pandemia", declarou Mariângela Simão.

MAIS VARIANTES

Segundo ela, o vírus continua evoluindo com variantes mais transmissíveis. Mas em razão da vacinação houve uma dissociação entre casos e mortes, pelo fato de a vacinação ter reduzido os óbitos decorrentes da Covid-19. Ela lembrou que a imunização reduz as hospitalizações mas não interrompe a transmissão.

A diretora avaliou que os novos picos na Europa se devem à abertura e flexibilização das medidas de distanciamento no verão, além do uso inconsistente de medidas de prevenção em países e regiões.

"O aumento da cobertura vacinal não influencia na higiene pessoal, mas tem associação com diminuição do uso de máscaras e distanciamento social. Além disso, há desinformação, mensagens contraditórias que são responsáveis por matar pessoas", pontuou a diretora-geral adjunta da OMS.

Um problema grave, acrescentou, é a desigualdade no acesso às vacinas no mundo. "Foram aplicadas mais de 7,5 bilhões de doses. Em países de baixa renda, há menos de 5% das pessoas com pelo menos uma dose. Um dos fatores foi o fato de os produtores terem feito acordos bilaterais com países de alta renda e não estarem privilegiando vacinas para países de baixa renda", analisou.

Outro obstáculo é a concentração em poucos países que dominam tecnologias utilizadas para a produção de vacinas, como o emprego do RNA mensageiro, como no caso do imunizante da Pfizer-BioNTech.

'Será pior do que tudo que vimos até agora', afirma Merkel

Berlim - A chanceler alemã, Angela Merkel, advertiu nesta segunda-feira (22) que, com a atual evolução, os recordes diários de casos e a baixa vacinação, a situação da Covid-19 "será pior do que tudo o que vimos até agora". Segundo uma fonte, Merkel fez a afirmação durante um encontro de dirigentes de seu partido, a conservadora União Democrata Cristã (CDU).

Segundo a chanceler, as atuais restrições no país "não são suficientes diante da situação dramática" provocada pelo surto de infecções de Covid-19 e defendeu restrições mais rígidas para tentar conter o avanço do vírus.

Merkel esclareceu no encontro que a situação é "altamente dramática" e comunicou que em pouco tempo os hospitais estarão sobrecarregados de infectados pela doença, caso não haja medidas rígidas para conter a Covid-19 no território, informou a Bloomberg.

A chanceler disse ainda que muitos cidadãos parecem não ter entendido a gravidade do aumento da doença pelo país e ponderou que apenas a vacinação não é o suficiente para impedir a situação atual.

No encontro, Merkel solicitou aos 16 estados do país - que têm autonomia para determinar as políticas de combate à doença -, para definirem medidas mais duras contra o novo coronavírus ainda esta semana.

IRONIA

Em meio à explosão de novos casos de Covid-19 na Alemanha, cresceu no país a apreensão com a proximidade do inverno no hemisfério norte, quando as ocorrências de doenças respiratórias sobem tradicionalmente.

Em apelo para que a população se vacine contra a doença, o ministro da Saúde Jens Spahn afirmou nesta segunda (22) que "provavelmente no final do inverno, como às vezes se diz com cinismo, quase todos estarão vacinados, curados ou mortos."

A fala fez referência à regra que restringe a presença em espaços públicos fechados a pessoas vacinadas, curadas ou com teste negativo - o ministro substituiu o último termo por "mortos". Na Alemanha, 70,4% da população tomou a primeira dose da vacina, e 67,9% as duas doses, mas os números estão estagnados há semanas.

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