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Internacional

Eleição em Honduras tem uma mulher como favorita

Xiomara Castro de Zelaya carrega legado do marido, ex-presidente

por FolhaPress

28/11/2021 - 05h00

Casal tem vínculo com Nicolás Maduro, da Venezuela

Tegucigalpa - Depois de uma sequência de anos conturbados, marcados por um golpe de Estado, uma eleição com acusações de fraude e intensos protestos de rua, os hondurenhos vão às urnas neste domingo (28) para apontar o sucessor de Juan Orlando Hernández. O direitista se despede de seu segundo mandato em meio a uma crise humanitária, de segurança pública, econômica e sanitária.

Embora as pesquisas no país não tenham histórico de confiabilidade e mostrem grandes diferenças nos números, a depender do instituto, os principais levantamentos indicam a liderança da esquerdista Xiomara Castro de Zelaya (Libertad y Refundación) sobre o governista Nasry Asfura (Partido Nacional). Segundo dados do Cespad (Centro de Estudos para a Democracia), Xiomara teria 38% das intenções de voto, contra 21% de Asfura. O empresário Yani Rosenthal vem em terceiro com distantes 3%.

DEPUTADOS

O pleito vai eleger, além de quem comandará o país até janeiro de 2026 --em Honduras, não há segundo turno--, 128 deputados para o Congresso e 298 prefeitos.

Xiomara é casada com o ex-presidente Manuel Zelaya (2006-2009), deposto por um golpe de Estado --antes de sair do país, em janeiro de 2010, ele permaneceu quatro meses na embaixada do Brasil, à época governado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sua candidatura desafia o bipartidarismo que vem dominando a política hondurenha, tomada pelas principais legendas do país, Liberal e Nacional.

Ela passou a ter projeção nacional ao defender publicamente o marido afastado do poder e adotou como bandeira de campanha planos de gastos sociais parecidos aos implementados por ele para o combate à pobreza, além da luta anticorrupção.

CHAVISMO

Zelaya retornou ao país em 2011, quando fundou o Libertad y Refundación, e vem participando ativamente da campanha da mulher. O casal tem vínculos com o ditador venezuelano Nicolás Maduro, de quem toma inspiração para os projetos contra a desigualdade --o chavismo apoiou o hondurenho quando ele foi deposto e fez campanha para a restituição de seu poder. Também está ligado a sindicatos e movimentos estudantis e conta com grande popularidade em regiões rurais.

Xiomara afirma que, caso eleita, vai promover uma aproximação comercial com a China, propor uma nova Assembleia Constituinte.

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