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Internacional

Boris admite ter furado confinamento

Em meio a pedidos de renúncia, premiê Boris Johnson se desculpa e admite festa em casa durante período de restrições

por FolhaPress

13/01/2022 - 05h00

Downing Street

Boris Johnson está em crise com o próprio partido

Londres  - O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, pediu "desculpas sinceras" nesta quarta-feira (12) ao admitir pela primeira vez que furou as regras de confinamento ao participar de uma festa em Downing Street, sua residência oficial, enquanto o país era exortado a se isolar para a contenção da pandemia.

O caso veio à tona quando os jornais britânicos The Guardian e The Independent fizeram uma investigação apontando que cerca de 20 funcionários do governo fizeram uma festa em maio de 2020.

CEM CONVIDADOS

Na última segunda-feira (10), a crise de imagem de Boris se agravou quando a rede britânica ITV divulgou um email enviado pelo secretário particular do premiê convidando ao menos 100 funcionários do governo para a ocasião.

"Depois de um período incrivelmente movimentado, seria bom aproveitar ao máximo o clima agradável e tomar, com distanciamento social, algumas bebidas, nos jardins do número 10 [referência ao endereço 10, Downing Street], nesta noite", dizia a mensagem enviada por Martin Reynolds. "Por favor, junte-se a nós a partir das 18h e traga sua própria bebida!"

À época, vigoravam restrições severas impostas pelo governo para tentar frear a disseminação do coronavírus. Elas incluíam o veto ao funcionamento de bares e restaurantes e proibiam reuniões de mais de duas pessoas residentes em casas diferentes.

Diante do Parlamento, Boris disse nesta quarta que a indignação que as revelações causaram é compreensível. "Entendo a raiva que eles sentem de mim pelo governo que lidero quando pensam que em Downing Street as regras não estão sendo seguidas adequadamente pelas pessoas que fazem as regras."

"Olhando em retrospecto, eu deveria  deveria ter encontrado outra forma de agradecê-los e deveria ter reconhecido que, ainda que aquilo tecnicamente estivesse dentro das orientações [por ser um ambiente aberto], haveria milhões e milhões de pessoas que não veriam as coisas assim."

"Pessoas que sofreram terrivelmente", continuou o premiê, "pessoas que foram proibidas de encontrar seus entes queridos, em ambientes internos ou externos; e a eles e a esta Casa eu ofereço minhas sinceras desculpas."

PESQUISAS

A admissão e o pedido de desculpas, no entanto, não acalmaram os ânimos dos parlamentares que já vinham submetendo o premiê a um processo de fritura nos últimos meses. A fala de Boris provocou vaias e risadas no Parlamento, em especial dos legisladores da oposição.

Duas pesquisas de opinião pública divulgadas nesta terça apontam que mais da metade dos entrevistados defendem que o premiê deve deixar o cargo. Analistas consideram, porém, que a renúncia é improvável, em parte devido à habilidade de Boris de escapar de crises, mas também devido à ausência de um nome entre os conservadores que reúna apoio suficiente para formar maioria no Parlamento.

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