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Internacional

Ucrânia corta gás para a Europa

É a primeira vez que acontece desde início da guerra; o combustível russo é transportado por dutos dentro da Ucrânia

por FolhaPress

12/05/2022 - 05h00

Maxim Shemetov/Reuters

Terminal da Gazprom no Ártico: início da distribuição

Kiev - A Ucrânia restringiu pela primeira vez desde que foi invadida pela Rússia, há 77 dias, o fluxo de gás natural que o país de Vladimir Putin vende para a Europa e passa por dutos em seu território.

A medida pegou de surpresa analistas ocidentais, que buscam amplificar ao máximo notícias que pareçam favoráveis ao governo de Kiev em sua luta contra os russos, como uma ofensiva no nordeste do país que recapturou algumas vilas nesta quarta (11).

O corte tem dois significados básicos: primeiro, que o presidente Volodimir Zelenski quer pressionar ainda mais os membros da UE (União Europeia) a suspender a compra de gás e petróleo russos, que respondem por cerca de 40% das demandas energéticas do bloco. A UE tem discutido tais cortes e já pediu o fim da importação de petróleo e derivados, mas há resistência, particularmente da Hungria do aliado de Putin, Viktor Orbán.

PARCIAL

O corte parcial do gás foi feito no ponto de trânsito Sokhranovka, da Gazprom, a gigante estatal russa do setor. A operadora ucraniana TSO disse que não havia segurança naquele ramal por passar pelas áreas rebeldes russas de Lugansk, embora o fluxo tenha sido constante desde o começo a guerra. Ela sugeriu o desvio do fluxo para o ramal que sai da cidade russa de Sudja, mais ao norte.

Com a medida, houve uma queda de 25% do envio de gás para a Europa, o que fez o preço do produto flutuar um pouco. Mas terá impactos mais severos se continuar --as outras rotas de hidrocarbonetos passam pela Belarus e sob o mar Báltico, pelo gasoduto Nord Stream 1, que liga Rússia à Alemanha.

O segundo ramal do Nord Stream, inaugurado no ano passado, nunca foi usado devido às tensões crescentes entre Rússia e Ucrânia e, depois, à guerra. Ele é considerado o maior erro estratégico dos anos de Angela Merkel no poder na Alemanha, por amarrar o futuro energético da maior economia europeia a um aliado inconfiável.

OUTRO LADO

Moscou diz que vai manter sua venda em contratos antigos, tendo apenas obrigado os países a pagar em rublo para valorizar sua moeda e já cortou o fluxo para Polônia e Bulgária, adversárias que se recusaram a fazer isso.

EUA vão destinar US$ 40 bi

A Câmara dos Estados Unidos aprovou na noite de terça-feira (10) um pacote de US$ 40 bilhões de ajuda à Ucrânia. O presidente Joe Biden havia solicitado US$ 33 bilhões, mas os congressistas costuraram um acordo que elevou o valor do texto, acrescentando auxílios militares e humanitários.

"O tempo é essencial, e não podemos esperar. Esse pacote será fundamental para ajudar a Ucrânia a defender não apenas sua nação, mas a democracia no mundo", disse a presidente da Casa, Nancy Pelosi, que recentemente visitou Kiev. O texto foi aprovado com 368 votos a favor e 57 contra. Ele ainda precisa ser aprovado pelo Senado.

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