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Brasil pode dispensar encontro com Biden nos EUA

Cenário interno da política no Brasil pode ser fator para Bolsonaro não viajar

por FolhaPress

13/05/2022 - 05h00

Brasília - O presidente Jair Bolsonaro (PL) avalia não comparecer à Cúpula das Américas, nos Estados Unidos, numa agenda em que se encontraria pela primeira vez com Joe Biden. A reunião de líderes do continente está marcada para o início de junho, em Los Angeles.

A possível ausência do mandatário brasileiro na reunião internacional organizada pelo americano foi noticiada pela agência Reuters. De acordo com diferentes interlocutores, a decisão de Bolsonaro sobre comparecer, ou não, ainda não foi tomada, mas uma série de fatores pesa para a falta de interesse dele em viajar aos EUA agora.

A principal delas, segundo dizem essas fontes, é o cenário interno no Brasil. O presidente está em pré-campanha pela reeleição e tem demonstrado resistência em sair do país para cumprir uma agenda internacional -- seu último deslocamento do tipo foi para a Guiana, na semana passada.

RISCO

Bolsonaro tem afirmado a aliados que sua prioridade nos próximos meses é a reeleição. Para a diplomacia, agendar um encontro com Biden nessas condições cria o risco de o mandatário desistir da viagem na última hora, o que geraria o constrangimento de cancelar a reunião com o líder da mais importante potência internacional.

Apesar de um encontro com o líder americano ser desejado por membros do governo --ele seria uma maneira de reforçar o argumento de que o Brasil na verdade não enfrenta um isolamento internacional--, a foto com o democrata é vista por membros da pré-campanha do presidente como algo de pouco valor eleitoral. Isso porque Bolsonaro é aliado declarado do antecessor de Biden, Donald Trump.

Durante a campanha americana, em 2020, o brasileiro disse que torcia pela reeleição do republicano. Mesmo depois de a vitória de Biden ser confirmada, Bolsonaro repetiu teorias trumpistas de que o resultado teria sido fraudado --o governo americano nunca encontrou qualquer indício disso-- e foi um dos últimos líderes a cumprimentar o democrata.

Procurado, o Itamaraty disse apenas que a viagem do presidente para a Cúpula das Américas "está sob avaliação e não está confirmada".

A reunião, que chega neste ano à 9ª edição, é realizada desde 1994 e reúne 35 países para tratar de assuntos políticos, diplomáticos e comerciais. Na última cúpula, em 2018, Trump não viajou a Lima e se tornou o primeiro líder dos EUA a faltar ao encontro.

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