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Internacional

China reage à visita de Pelosi

Pais lançará "operações militares direcionadas" como resposta à chegada da presidente da Câmara dos EUA a Taiwan

por Agência Brasil

03/08/2022 - 05h00

Cortesia/Ministério do Exterior

Comitiva norte-americana chega a Taipei, capital, e viagem aumenta a tensão EUA-China

Pequim - Os militares chineses foram colocados em alerta máximo e lançarão "operações militares direcionadas" em resposta à visita da presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, a Taiwan, afirmou o Ministério da Defesa da China nesta terça-feira (2).

Separadamente, o Comando de Teatro Oriental do Exército de Libertação Popular chinês disse que realizará operações militares conjuntas e testará o lançamento de mísseis convencionais no mar a leste de Taiwan.

Os exercícios incluirão operações aéreas e marítimas conjuntas no norte, sudoeste e nordeste de Taiwan, disparos reais de longo alcance no Estreito de Taiwan e lançamentos de mísseis de teste no mar a leste de Taiwan.

BIDEN

O governo do presidente e correligionário dela Joe Biden faz uma operação de contenção de danos e tenta deixar claro que a viagem não é uma visita de Estado e foi decidida individualmente por Pelosi, parlamentares do Partido Republicano têm manifestado apoio à presidente da Casa, que chegou à ilha do leste asiático nesta terça-feira (2) sob ameaças do governo chinês. 

Assessores e conselheiros correram para dizer ao público e às suas contrapartes chinesas que a viagem era uma decisão independente da parlamentar e que não significava endosso do governo americano. O próprio Biden afirmou isso a Xi Jinping, líder do regime chinês, quando "deixou claro que o Congresso é um ramo independente do governo e que Pelosi toma suas próprias decisões, assim como outros membros do Congresso, sobre suas viagens ao exterior".

Para minimizar o assunto e evitar uma escalada de tensões com a China, o governo americano tem dito que viagens de parlamentares americanos à ilha são comuns.

Ainda que nenhuma dessas visitas recentes tenha o peso político de uma presidente da Câmara viajando em uma aeronave oficial para uma ilha que a segunda maior potência do mundo considera uma província rebelde, é fato que políticos americanos têm batido ponto em Taiwan. A viagem de Pelosi culmina um esforço bipartidário do Congresso americano de manifestar apoio à ilha em meio à crescente rivalidade dos Estados Unidos com a China.

Em abril, por exemplo, o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, o democrata Bob Menendez, foi junto do republicano Lindsey Graham, também senador, em uma viagem surpresa à ilha.

OPOSIÇÃO

A visita da presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, a Taiwan provocou mais apoio da oposição até agora do que do seu próprio Partido Democrata.

Pela manhã, um grupo de 26 senadores republicanos, inclusive o líder da minoria do Senado, Mitch McConnell (Kentucky), divulgou comunicado apoiando Pelosi.

"Por décadas, membros do Congresso dos Estados Unidos, incluindo ex-presidentes da Câmara, viajaram a Taiwan. Esta viagem é consistente com a política de 'uma só China' dos EUA, com a qual estamos comprometidos. Também estamos comprometidos agora, mais do que nunca, com a Lei de Relações com Taiwan", diz o grupo.

Pelosi já se estranhou com a China antes

Aos 82 anos, a democrata é presidente da Câmara dos EUA desde 2019 e está na sua segunda passagem pelo cargo; em 2007, no governo de George W. Bush, ela já havia sido eleita para a função, tornando-se a primeira mulher a chegar ao posto.

Nascida em Baltimore, no estado de Maryland, Pelosi vem de uma família com tradição na política. Seu pai, Thomas D'Alesandro Jr., foi prefeito por 12 anos, depois de atuar por cinco mandatos no Congresso, e seu irmão também chegou ao Executivo de Baltimore.

Depois de conhecer o marido, Paul Pelosi, na faculdade --eles hoje têm cinco filhos--, mudou-se para San Francisco.

O vínculo entre Pelosi e a China ganhou novo capítulo com a viagem de agora a Taiwan, mas a relação tensa já vem de longa data. Em 1991, dois anos após o massacre de estudantes na praça da Paz Celestial, a americana abandonou uma comitiva oficial que visitava o país para ir até o local, onde exibiu cartazes contrários a Pequim. O episódio é chamado pelos chineses de "farsa premeditada".

Entenda

A China não reconhece Taiwan como um país independente. Pelo contrário, vê a ilha com 24 milhões de pessoas como parte do seu terrítório e afirma que a visita é um "sinal severamente errado às forças separatistas a favor da independência de Taiwan" .

O governo chinês se opõe a qualquer contato das principais autoridades de Taiwan com outros países. Hoje, somente 13 países e o Vaticano reconhecem Taiwan como um país soberano. Os EUA têm uma política de "ambiguidade estratégica" quando o assunto é Taiwan: não reconhecem Taiwan como um Estado, mas mantêm relações com a ilha.

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