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Rio e Porto Alegre têm ?rolezinhos?

O tom político e o mesmo clima das manifestações de 2013 tomou conta do que seria um ?rolezinho? no Rio, ontem

por Folhapress

20/01/2014 - 05h00

A onda de atos em apoio aos “rolezinhos” atingiu ontem shoppings de luxo no Rio e em Porto Alegre. O tom político e o mesmo clima das manifestações de 2013 tomou conta do que seria um “rolezinho”, marcado para às 16h20, no Shopping Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro.

Uma caixa de som tocava funk em alto volume. Sobre uma churrasqueira improvisada na calçada, foram colocadas linguiças de porco e asinhas de frango. Os manifestantes dançaram e beberam uísque barato e cerveja.

Eram estudantes, ativistas dos movimentos sociais, simpatizantes de partidos de esquerda, anarquistas e “black blocs”, além de integrantes da chamada mídia alternativa.

Apenas um pequeno grupo apareceu para fazer o “rolezinho” tradicional. “Eu vim dar um rolé com a minha gata no shopping, conhecer gente nova, mas pelo visto é manifestação. Vou dar rolé na praia de skate mesmo”, disse Ricardo Israel, 22.

O “rolezinho” reunia às 18h30 cerca de cem pessoas em frente ao shopping, que não abriu hoje depois ter cassada uma liminar que proibia o ato. Do outro lado da rua, o Rio Design Leblon também fechou as portas.

RS

Em Porto Alegre, o Moinhos Shopping foi à Justiça para barrar o primeiro “rolezinho” da cidade. A ordem judicial proibiu eventos que afetassem o funcionamento do local. O evento foi mantido.

O analista de sistemas Fábio Fleck, 27, que recebeu a ordem judicial, disse que a intenção era prestar solidariedade aos “rolezinhos” de São Paulo. “É uma crítica à desigualdade social. O movimento está sendo criminalizado”, afirmou ao lado de pouco mais de dez pessoas.

Logo depois, um outro grupo, integrado por militantes da União da Juventude Socialista cantou músicas de funk e entrou em lojas, mas não houve incidentes.


Ativistas politizam no Leblon

Mesmo com o fechamento das portas, um grupo de pessoas se reuniu em frente ao Shopping Leblon, onde estava marcado um “rolezinho” para as 14h20. O local, no horário marcado, contudo, havia recebido mais jornalistas que participantes de fato.

Assim como o “rolezinho” ocorrido em Niterói, cidade da região metropolitana do Rio, o tom do ato da tarde de ontem no Leblon, zona sul da capital fluminense, é político: o perfil das pessoas que vieram participar do evento é o mesmo verificado durante as manifestações de rua, que se reproduziram no Rio a partir de junho do ano passado. Um exemplo é o ativista Eron Melo, que ficou famoso por participar dos protestos de rua vestido de Batman, que foi um dos presentes ao “rolezinho”.

A organização de um ato para o Shopping Leblon levou temores ao comércio do bairro, motivando que outro shopping também fechasse suas portas. O Rio Design Leblon, que fica do outro lado da avenida Afrânio de Melo Franco, decidiu, por prudência, não funcionar ontem.

Os próprios participantes não escondem o tom politizado do ato, que as 14h30 reunia cerca de 40 pessoas em frente ao shopping pelo menos metade delas, integrantes da imprensa.

“Esse ato é em apoio aos rolezinhos de São Paulo. A própria reação da sociedade a um evento que inicialmente era espontâneo das periferias de São Paulo politiza a questão. Eu estou achando ridículo o shopping fechar por isso, pois não havia nenhuma ameaça de violência”, afirmou a professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Tatiana Roque, 43 anos, que disse ter vindo ao rolezinho como “observadora”.

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB) mora a poucas quadras do shopping. Ainda que o secretário de segurança do Rio, José Mariano Beltrame, tenha dito no meio da semana que a policia não tomaria nenhuma atitude preventiva contra o “rolezinho”, há um contingente policial na calçada oposta ao shopping carioca. Pelo menos quatro carros policiais e três grupos de 20 policiais militares estão posicionados ao longo da Afrânio de Melo Franco.