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Ibovespa sobe diante de favoritismo de Jair Bolsonaro

por Estadão Conteúdo

16/10/2018 - 12h30

Ibovespa/divulgação
Telão do Ibovespa mostra que dólar perde valor ante o real 

O Ibovespa abriu em firme alta e aproxima-se dos 85 mil pontos com apoio das ações do chamado kit eleições. A consolidação do favoritismo do candidato Jair Bolsonaro (PSL), dada a confirmação pelo Ibope na segunda-feira, 15, do cenário traçado pela última pesquisa Datafolha, colabora para o desempenho dos ativos domésticos, assim como o comportamento dos índices acionários no exterior e de moedas emergentes. Desde a abertura da sessão, o dólar perde valor ante o real, e as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) estão em queda. Candidato fala em criar 10 milhões de empregos (leia mais abaixo).

"O mercado está precificando a vitória do Bolsonaro", afirmou um operador do mercado de ações. "Depois o mercado vai acordar para ver o que está acontecendo", ponderou o profissional.

Na mesma linha, os analistas da consultoria Eurasia escreveram no Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado): "Uma virada parece muito improvável, dependendo de alguma grande surpresa na reta final da campanha. (...) A atenção agora está cada vez mais voltada para o começo da eventual Presidência de Bolsonaro. Sempre há um período de lua de mel entre o presidente eleito e seus apoiadores: mas, depois que a festa acabar, quais as chances de o governo e o Congresso aprovarem as reformas econômicas tanto ansiadas pelo mercado?"

Entre os papéis do "kit eleições", os destaques eram Banco do Brasil ON (+2,60%) e Eletrobras ON (+3,53%) e PNB (+2,57%) às 10h31. Nesse horário, o Ibovespa subia 1,51% e marcava nova máxima aos 84.621 pontos. "A Eletrobras ainda reage à possibilidade de o eventual ministro da Fazenda e do Planejamento, Paulo Guedes privatizar parte da geração da elétrica", afirmou o profissional.

Às 10h30, o mercado de ações à vista em Nova York iniciou os negócios em alta, puxado pelo resultado melhor que previsto de grandes bancos - como Goldman Sachs e Morgan Stanley.

Esperado pelos analistas do mercado americano, o desempenho da produção industrial nos Estados Unidos veio melhor que previsto. A indústria americana teve alta de 0,3% em setembro em relação a agosto, divulgou nesta terça-feira, 16, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). As projeções de analistas consultados pelo The Wall Street Journal eram de 0,2%.

Bolsonaro fala em criar 10 milhões de empregos

O time econômico do candidato Jair Bolsonaro (PSL) ao Palácio do Planalto estabeleceu como meta criação de 10 milhões de empregos em quatro anos, informou ao jornal O Estado de S. Paulo e ao Broadcast (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado) Carlos Alexandre Da Costa, que integra o núcleo de economistas reunidos por Paulo Guedes, o coordenador do programa econômico de Bolsonaro.

Segundo ele, o plano é gerar seis milhões de empregos nos dois primeiros anos de governo, e quatro milhões nos dois anos seguintes, caso o candidato seja eleito no próximo dia 28 de outubro. A ideia, explicou ele, é incentivar com medidas que não tenham impacto fiscal setores com intensiva mão de obra, como a construção civil.

Nos oito anos de governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram criados 13,4 milhões de empregos formais no País. No primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, a criação de vagas com carteira assinada foi de 4,9 milhões. Entre 2015 e 2017, quando Dilma Rousseff e Michel Temer governaram, 2,8 milhões de empregos foram destruídos.

O núcleo econômico acelerou, nos últimos dias, os contatos com representantes das principais entidades do setor produtivo para a definição em conjunto de indicadores econômicos a serem perseguidos, como a meta para a geração de novas vagas de trabalho. Entre as metas que estão sendo definidas, estão indicadores relacionados ao Doing Business, ranking do Banco Mundial que analisa a cada ano as leis e regulações que facilitam ou dificultam as atividades das empresas em cada economia.

"Nós já estamos construindo um dashboard com todos os indicadores do que a sociedade espera de nós", informou Costa, responsável pela área de emprego, produtividade e crédito. Dashboard são painéis que mostram métricas e indicadores importantes para alcançar objetivos e as metas traçadas.

Prosperidade

Segundo Costa, a proposta é "construir" com o setor produtivo a Agenda de Prosperidade, como está sendo chamado o plano de medidas para o crescimento do País, boa parte delas voltadas para o aumento da produtividade.

Costa explicou que são pontos em comum para o aumento da competitividade e redução do custo Brasil. "É uma grande aliança para o desenvolvimento", disse ele, que defende uma reforma tributária que desonere a produção. "Pagar impostos, por exemplo. Estamos péssimos nisso", criticou.

Para Costa, o Estado brasileiro hoje cobra o máximo da sociedade e entrega o mínimo no que deveria fazer nas áreas de saúde, educação, segurança e moradia. "Há uma grande dicotomia do Estado que cobra regulamentação demais e obrigações acessórias demais e sufoca o setor produtivo", disse Costa, que foi diretor do BNDES.

Para a definição desses indicadores, o grupo já conversou com dirigentes da Abdib (Infraestrutura), Fiesp (indústria paulista), Abinee (elétrica e eletrônica), Abiquim (química) e outras que ainda estão sendo marcadas. Ele classificou como uma "vergonha que o Brasil tenha indicadores piores do que de países da África Subsaariana. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.