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Nacional

Jornalista Ricardo Boechat morre em queda de helicóptero no Rodoanel

Piloto Ronaldo Quatrucci morreu e motorista do caminhão atingido sofreu ferimentos leves

por Estadão Conteúdo e Agência Brasil

11/02/2019 - 13h45

Reprodução Band News
Boechat foi um dos jornalistas mais premiados do País

O jornalista e apresentador Ricardo Eugênio Boechat, de 66 anos, morreu na queda de um helicóptero no Rodoanel no início da tarde desta segunda-feira (11). A aeronave caiu no quilômetro 7, próximo ao acesso à Rodovia Anhanguera, na chegada a São Paulo, em cima de um caminhão. O piloto da aeronave, Ronaldo Quatrucci, também morreu. O motorista do caminhão sofreu ferimentos leves.

A cerimônia para se despedir do jornalista acontece no auditório do Museu da Imagem e do Som (MIS), que fica na região do Jardim Europa, na zona oeste da capital paulista, até as 14h desta terça-feira (12). Depois, haverá uma cerimônia reservada para a família e a cremação do corpo.

O acidente

Minutos após o acidente, o Corpo de Bombeiros informou que duas pessoas tinham morrido na queda - seriam o piloto e o copiloto. A confirmação de que o jornalista era um dos ocupantes veio cerca de uma hora depois. O motorista do caminhão foi socorrido pela concessionária.

Em entrevista à Band, o comandante Marcos Palumbo afirmou que o acidente teve três vítimas, duas dentro da aeronave, que tiveram os corpos carbonizados, e a terceira é o motorista do caminhão. Os corpos de Ricardo Boechat e do piloto foram localizados, segundo os bombeiros, na aeronave que explodiu após o choque. Os bombeiros informaram que 11 viaturas foram deslocadas para o local no atendimento à ocorrência.

A confirmação da morte do jornalista veio da direção de jornalismo da Band. Ele estava voltando de Campinas, onde tinha ido dar uma palestra. Segundo o capitão Augusto Paiva, da Polícia Militar, o motorista do caminhão teve ferimentos leves e às 14h40 já estava no 46º DP para prestar depoimento. Ele teria dito que viu a aeronave segundos antes da colisão, mas não teve tempo hábil para frear ou desviar.

Helicóptero

Reuters/Nacho Doce
Helicóptero, uma aeronave Bell Jet Ranger, prefixo PT-HPG, fabricada em 1975 se encontrava em situação regular junto a Anac

O helicóptero, uma aeronave Bell Jet Ranger, prefixo PT-HPG, fabricada em 1975, não era da Band, onde o jornalista trabalhava. Tinha capacidade para cinco lugares, estava com a declaração anual de inspeção de aviação válida até maio deste ano e com o certificado de aeronavegabilidade válido até maio de 2023. Ele pertence à RQ Serviços Aéreos Especializados, cuja sede fica no Tatuapé, zona leste, empresa com uma frota de quatro aeronaves especializada em filmagens, fotografias e reportagem.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou, por meio de nota, que o helicóptero se encontrava em situação regular junto a agência reguladora. De acordo com a Anac, dados do Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) mostram que a aeronave estava com o Certificado de Aeronavegabilidade (CA) válido até maio de 2023 e a Inspeção Anual de Manutenção (IAM) em dia até maio de 2019, ou seja, a aeronave estava em situação regular.

A Anac disse ainda que informações oficias da Aeronáutica confirmam que as licenças e habilitações de Quatrucci, de piloto comercial de helicóptero (PCH), estavam válidas. "As investigações sobre as causas do acidente estão sendo conduzidas pelo Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa IV), órgão regional do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), do Comando da Aeronáutica", informou a Anac.

Carreira

Reprodução Band News
Boechat trabalhava como jornalista desde os anos 1970

O jornalista Ricardo Boechat, de 66 anos, nasceu em Buenos Aires, na Argentina, quando o pai Dalton Boechat, diplomata, estava a serviço do Ministério das Relações Exteriores. Dono de um humor ácido, usava essa característica para noticiar fatos e criticar situações. O tom era frequente nos comentários de rádio, televisão e também na imprensa escrita.

Nos anos 1970, Boechat começou no jornalismo no Diário de Notícias como assistente do colunista Ibrahim Sued. Do Diário de Notícias, seguiu com Sued para O Globo em que trabalhou por 14 anos. Também foi chefe de reportagem da Rádio Nacional, em 1973.

Boechat foi para o Jornal do Brasil, no início dos anos 1980, após briga com Sued. Logo depois retornou ao O Globo para assumir a Coluna do Swann. Ele teve uma breve passagem pela Secretaria de Comunicação do governo Moreira Franco, no Rio de Janeiro, em 1987.

Depois, ao voltar para O Globo, o jornalista ganhou sua própria coluna: Boechat. Nesta época, o jornal estabelecia a linha editorial de ter dois colunistas sociais de prestígio: Ricardo Boechat e Zózimo Barroso do Amaral.

Em 1997, passou a ser comentarista no telejornal Bom Dia Brasil, na Rede Globo. Nesta época, sua coluna era a mais lida no jornal carioca e uma referência nos jornais impressos, pautando dezenas de redações pelo País.

Em 2006, foi para o grupo Bandeirantes. Pela manhã, apresentava um programa com seu nome dividido em duas partes: uma nacional e outra dedicada ao Rio de Janeiro. À noite, era o âncora do Jornal da Band. Também escreveu para os jornais O Dia e O Estado de SPaulo.

Boechat teve diferentes cargos nas redações em que passou, mas sempre manteve a veia jornalística, talvez a sua maior característica profissional. Ele ganhou ganhou três prêmios Esso: em 1989, 1992 e 2001. Venceu oito vezes o Prêmio Comunique-se.

Flamenguista, foi atleta assíduo na pelada de fim de semana, que reunia artistas e jornalistas no Alto da Boavista, no Rio de Janeiro, durante muitos anos. Em 2008, escreveu "Copacabana Palace: um hotel e sua história". Organizado por Cláudia Fialho, que por 17 anos foi relações públicas do hotel, o livro conta a história dos bastidores do cinco estrelas mais famoso do País. Boechat deixa esposa, cinco filhas e um filho.

Repercussão

Políticos de todas as ideologias lamentaram a morte do jornalista Ricardo Boechat. Da ala governista, além do presidente, Jair Bolsonaro, e seus filhos Eduardo e Carlos, o vice, Hamilton Mourão, e os ministros Onyx Lorenzoni, Tereza Cristina, Marcos Pontes prestaram condolências nas redes sociais.

Em nota, o Palácio do Planalto lamentou a morte do jornalista. O texto afirma que o País perdeu "um dos principais profissionais da imprensa brasileira". "A Presidência da República expressa seu pesar e condolências em razão do falecimento do jornalista Ricardo Boechat, vitimado em um acidente aéreo, neste dia. O País perde um dos principais profissionais da imprensa brasileira. Sentiremos a falta de seu destacado trabalho na informação da população, tendo exercido sua atividade por mais de quatro décadas com dedicação e zelo", diz a nota divulga pela secretaria de comunicação da Presidência.

Do Hospital Albert Einstein, o presidente Jair Bolsonaro prestou solidariedade à família do jornalista. "É com pesar que recebo a triste notícia do falecimento do jornalista Ricardo Boechat". "É com pesar que recebo a triste notícia do falecimento do jornalista Ricardo Boechat, que estava no helicóptero que caiu hoje em SP. Minha solidariedade à família do profissional e colega que sempre tive muito respeito, bem como do piloto. Que Deus console a todos!", escreveu Bolsonaro.

O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) também se manifestou nas redes sociais. "Manifesto meus sentimentos às famílias de #RicardoBoechat e do piloto do helicóptero, aos profissionais da Rede Bandeirantes, rádio e televisão, extensivos à classe jornalística, pela triste notícia do acidente que os vitimou. Deus no comando." O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, escreveu: "Meus sentimentos à família e amigos de Ricardo Boechat".

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), chamou Boechat de "um dos maiores jornalistas da sua história". "Sua atuação diária demonstrava sensibilidade em defesa do interesse público e do jornalismo de qualidade. Toda a solidariedade a seus familiares, amigos e colegas da Rede Bandeirantes", escreveu. Já o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), prestou condolências aos familiares e colegas do jornalista. "O Brasil perde um profissional ético, íntegro e talentoso."

Os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, Davi Alcolumbre (DEM-AP) e Rodrigo Maia (DEM-RJ), respectivamente, também publicaram notas de pesar. "Era um profissional reconhecido pelo trabalho e senso crítico aguçado revelado nos principais meios de comunicação do país", disse Alcolumbre em sua conta no Twitter.

Do lado da oposição, o senador Humberto Costa, líder do PT na Casa, se disse consternado com a notícia da morte de Boechat. "É uma perda horrível para o Brasil de um jornalista de incontáveis virtudes. Deixo aqui minha solidariedade à família, aos amigos, aos fãs desse grande profissional do nosso jornalismo", escreveu também no Twitter.

Guilherme Boulos, do PSOL, classificou a morte de Boechat como precoce e trágica. "O Brasil perdeu um jornalista independente e com aguçado espírito crítico. Fará muita falta", afirmou. Boechat morreu nesta segunda-feira, na queda de um helicóptero no quilômetro 7 do Rodoanel, próximo ao acesso à Rodovia Anhanguera. A ex-senadora Marina Silva (Rede) declarou ter recebido a notícia com "profunda tristeza". Boechat fará uma falta enorme ao jornalismo, ainda mais nesse momento do país. Que Deus conforte sua família, amigos e colegas de trabalho nesse momento de perda e dor."

A morte do jornalista teve grande repercussão nas redes sociais. O apresentador José Luiz Datena interrompeu a programação da Band nesta tarde para confirmar a morte de Boechat. Emocionado, Datena disse que ele era "uma pessoa especial" e um dos maiores jornalistas do País. Boechat era torcedor do América-MG, que prestou homenagem ao jornalista nas redes sociais. "Expressamos nossos sentimentos à família e aos amigos do jornalista e das demais vítimas desse triste acidente."

Jornalistas e admiradores também lamentaram a morte de Boechat. "Tristeza e luto nessa tragédia para o jornalismo brasileiro. Perdemos uma referência para o jornalismo combativo e questionador", escreveu Flávio Fachel, apresentador do Bom Dia RJ. "Tá difícil de segurar a onda por aqui. Um dia choro por centenas, noutro por dezenas, agora choro por um colega: Ricardo Boechat, agora não! O jornalismo precisa de você", escreveu Milton Jung, da CBN.

A colunista do BR 18 e colunista do Estado Vera Magalhães chamou o jornalista de "referência do jornalismo, colunista, como âncora". "Com tudo o que era, conseguia ser generoso com quem tinha menos experiência. No encontro que tivemos, me brindou com essa generosidade que nem sei se merecia."

Já o jornalista André Trigueiro lembrou do período em que trabalhou com Boechat na TV Globo. "Jornalista valente, corajoso, contundente, um dos grandes nomes dessa nossa profissão", disse. "Ricardo Boechat era um voz contestadora na imprensa, fará muita falta", lamentou Mauro Cezar, jornalista da ESPN.

A jornalista Miriam Leitão, da TV Globo, também falou sobre a morte do "querido amigo". "Não posso acreditar. Eu lhe devo tantos favores, tantas palavras generosas em momentos difíceis. Você foi pessoa linda, jornalista maravilhoso." "Meus sentimentos para a família do Boechat, um dos melhores e mais geniais jornalistas e comunicadores do Brasil", escreveu o comentarista internacional Guga Chacra.

STF e STJ

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, divulgou nota em que lamenta a morte do jornalista Ricardo Boechat, vítima de acidente aéreo. Boechat estava em um helicóptero que caiu no quilômetro 7 do Rodoanel, próximo ao acesso à Rodovia Anhanguera, próximo a chegada a São Paulo, em cima de um caminhão. "A imprensa e a sociedade brasileira estão em luto pela perda desse excelente profissional que com dinamismo e versatilidade levava a notícia aos públicos mais diversos, seja para quem o lia na coluna da revista IstoÉ, seja para quem o ouvia na rádio ou o assistia nos telejornais da Band", escreveu Toffoli. "Presto minhas sinceras condolências à família, aos amigos e às empresas para as quais trabalhou ao longo de quase meio século de jornalismo", disse o presidente do Supremo na nota.

"Ao longo de quase 50 anos de carreira, o jornalista Ricardo Boechat construiu uma história marcada pelo profissionalismo, pela imparcialidade e pelo cultivo dos valores mais caros ao jornalismo, como a ética e o combate à corrupção. Jornalista multifacetado e premiado, Boechat consolidou seu nome entre os profissionais de imprensa mais respeitados do país. Com profunda tristeza, manifesto condolências aos familiares, amigos e todos os colaboradores do Grupo Bandeirantes", diz a nota, assinada pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), João Otávio de Noronha.

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