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Movimentação de talude em Barão de Cocais acelera e já atinge até 20 cm

Defesa Civil continua monitorando a mina; rompimento pode ocorrer a qualquer momento

por Estadão Conteúdo e Agência Brasil

26/05/2019 - 22h00

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A Defesa Civil continua monitorando a movimentação do talude

O talude norte da mina de Gongo Soco da mineradora Vale em Barão de Cocais (MG) passou a se movimentar 20 centímetros por dia em alguns pontos isolados e 15,7 centímetros por dia em sua porção inferior, segundo informações divulgadas pela Agência Nacional de Mineração (ANM).

No último sábado (25), no boletim anterior publicado pela agência, a velocidade da movimentação era de 14,1 centímetros por dia na parte inferior e 19 centímetros por dia nos pontos mais críticos. A previsão da agência era de que rompimento ocorresse até ontem.

A Defesa Civil continua monitorando a movimentação do talude, conforme informações da reportagem. O risco de rompimento segue no nível 3, o mais alto, de acordo com o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico da cidade e membro efetivo da Defesa Civil. O receio das autoridades é que o rompimento possa atingir a barragem sul superior, 1,5 quilômetro abaixo da contenção do talude norte.

A Vale avisou autoridades acerca da movimentação do talude no último dia 13, quando a movimentação era de 4 centímetros por dia - a previsão anunciada pela companhia era de que o talude desmoronaria entre o último dia 19 e este final de semana. A barragem da mineradora está localizada a 100 quilômetros de Belo Horizonte.

A Defesa Civil continua monitorando a movimentação do talude. 

De acordo com Juvenal Caldeira, secretário municipal do Desenvolvimento Econômico da cidade e membro efetivo da Defesa Civil municipal, o risco de rompimento do talude, que funciona como uma parede de contenção, segue no nível 3, o mais alto, e pode ocorrer a qualquer momento.

“O receio de toda a cidade é que o talude venha descer”. Segundo ele, o temor é que isso “cause vibração e afete a montanha”, o que pode impactar a barragem Sul Superior, 1,5 quilômetro abaixo da contenção.

Caldeira assinala que 400 pessoas que vivem nas comunidades de Socorro, Tabuleiro, Piteira e Vila do Congo, que eventualmente podem ser afetadas, já foram retiradas. A população da Barão de Cocais participou de dois simulados para emergência. Os 16 postos de saúde da cidade estão equipados com geradores de energia, em caso de suspensão do fornecimento de luz, e há sete caminhões pipa com água potável à disposição da população.

Abaixo da barragem Sul Superior, a cerca de um quilômetro, estão sendo montados blocos de granito dentro de telas. Além disso, teve início o trabalho de terraplanagem para erguer um novo muro de contenção de 35 metros de altura, 400 metros de extensão na parte superior, com 10 metros de espessura e aterrado cinco metros abaixo do nível do solo. A construção deverá levar até um ano. Esse novo muro é um ponto anterior às comunidades cujos moradores foram removidos.