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Ceará tem 22 mortes por meningite em 2019, 83% a mais que ano passado

por Estadão Conteúdo

12/07/2019 - 04h00

Um período de chuva intenso entre fevereiro e maio no Estado do Ceará pode ter sido uma das causas do aumento de casos de contaminação por meningite em 2019. Ao todo, até o dia 29 de junho, foram registrados 210 casos em todo o Estado, com 22 mortes, de acordo com o boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesa).

Os dados representam um aumento de 83% no número de casos em relação ao mesmo período de 2018. Em Fortaleza, os números chamam atenção, doze pessoas morreram por meningite, em 97 casos registrados.

Em 2018, a faixa etária mais acometida por doença menigocócica foi a de 10 a 14 anos (25%) e de 20 a 29 anos (25%) e os óbitos ocorreram com mais predominância na faixa etária de 40 a 59 anos (100%). Já neste ano, as faixas etárias com maiores ocorrências foram a de 5 a 9 anos (28,6%) e de 20 a 29 anos (28,6%) e a ocorrência dos óbitos foi maior nas faixas etárias de 5 a 9 e 40 a 49 anos.

De acordo com Sarah Mendes, Supervisora do Núcleo de Vigilância Epidemiológica da Sesa, "doenças de transmissão aérea têm maior risco de contaminação em períodos chuvosos, que é o que aconteceu no Ceará nesta primeira etapa do ano. Então, pode ter sido um fato que pode ser associado a este aumento".

O boletim epidemiológico da Sesa aponta que os casos são referentes a duas etiologias da doença: a meningocócica, transmitida por bactéria, e "outras meningites", que acontecem em decorrência de vírus e fungos. Este último tipo foi responsável por 13 óbitos no Estado.

A meningocócica é a mais perigosa e, segundo Sarah, é o tipo de meningite com principal importância no ponto de vista epidemiológico. "A meningite meningocócica é a mais grave e com maior potencial de mortalidade. Quando há um caso confirmado é preciso fazer um bloqueio com medicações para as pessoas que tiveram contato com a pessoa infectada, pois o grau de contaminação é muito alto", afirma.

Ainda de acordo com Sarah, para traçar um motivo real e específico desse aumento de casos é preciso fazer um estudo aprofundado e analisar os fatores de risco. "O que vale ressaltar é que o cenário é endêmico, a doença se comporta de forma padrão, mas percebemos um aumento dos casos e a vigilância está trabalhando para traçar estratégias de prevenção e controle. Neste momento, as pessoas devem procurar as unidades de saúde para vacinar as crianças. As unidades públicas dispõem de doses da vacina", completa.

Mariana Lima, de 21 anos, começou a sentir sintomas de gripe, dor de cabeça, dores no corpo febre e, como de costume, recorreu à automedicação. Com os dias, a temperatura corporal ultrapassou 40°, foi então que decidiu ir ao médico. "Fui a um hospital e a médica plantonista do dia me receitou paracetamol e novalgina de 3/3 horas, tendo ou não febre, isso não ajudou, eu só me debilitava a cada dia e a rotina de ir a hospitais era cada vez mais frequente", lembra.

Febre alta, vômitos com sangue, sangramentos pelo nariz e ouvido, além da nuca rígida, fizeram com que Mariana fosse a um clínico geral, por indicação de uma prima. Foi quando teve o diagnóstico correto de meningite.