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Nova técnica pode eliminar câncer

Pela primeira vez no Brasil, paciente, um aposentado mineiro, usa terapia que 'ensina' células a atacar câncer terminal

por FolhaPress

12/10/2019 - 05h43

Fapesp/Divulgação

Vamberto de Castro, de 62 anos, que tinha um câncer terminal e a equipe pesquisadora

São Carlos - Pesquisadores da USP de Ribeirão Preto estão fazendo o primeiro teste brasileiro de uma terapia anticâncer inovadora, que modifica o DNA das células do próprio paciente para enfrentar a doença.

A abordagem, conhecida pela sigla inglesa CAR-T, foi utilizada há um mês para tratar um funcionário público aposentado de 62 anos, morador de Belo Horizonte, diagnosticado com linfoma não Hodgkin de células B. Essa forma de câncer do sangue já o tinha levado a se submeter a quatro rodadas de tratamento desde 2017, incluindo quimioterapia, radioterapia e imunoterapia, sem sucesso. Não havia mais perspectivas para o doente, considerado terminal e sofrendo com fortes dores e perda de peso.

"O filho dele me procurou porque ficou sabendo que eu tinha ganhado um prêmio da Associação Americana de Hematologia para desenvolver a CAR-T aqui", conta o médico Renato Guerino Cunha, pesquisador do CTC (Centro de Terapia Celular da USP e do Hemocentro de Ribeirão Preto). 

A TÉCNICA

Pelo menos por enquanto, não se trata de um ensaio clínico convencional. No caso de Vamberto Luiz de Castro, o paciente mineiro, o teste se encaixa no chamado uso compassivo, aprovado quando não há outras abordagens que possam ajudar o paciente.

A sigla CAR-T corresponde à expressão "receptores quiméricos de antígenos de células T". Em essência, é um tipo de terapia mais personalizada, na qual os pesquisadores levam em conta a assinatura molecular de cada tipo de câncer, de forma a desenhar uma arma específica contra ele, explica Dimas Tadeu Covas, coordenador do CTC e diretor do Instituto Butantan.

A arma em questão são as células T da sigla, "soldadas" do sistema de defesa do organismo que têm, entre suas atribuições naturais, eliminar células cancerosas. "Elas não só liberam substâncias com essa função como atraem outras células para atacar o câncer, mobilizando todo o sistema imune", explica Covas.

"O que falta para fechar o diagnóstico de remissão é o PET-CT [exame de tomografia], que deve nos dar os dados mais seguros daqui a 60 dias", diz Cunha. Mais quatro pacientes já estão na fila para receber o tratamento.

A pesquisa foi financiada pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo ).

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