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Pesquisa mapeia 'feminismo negro'

Pesquisa mostra prioridades no Dia da Consciência Negra: 'votar em negros é mais urgente para pobres do que ricos'

por FolhaPress

20/11/2019 - 06h00

Tomaz Silva/Agência Brasil

Ex-ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros, no Rio

São Paulo - Em uma hipotética lista de prioridades, votar em candidatos negros, discutir o feminismo negro e exaltar o dia da Consciência Negra, neste 20 de novembro, têm mais força entre as classes pobres do que entre os abastados e escolarizados.

É o que mostra uma pesquisa do Google, realizada pela consultoria Mindset e pelo Instituto Datafolha, que ouviu 1.200 pessoas negras ao longo do último mês de outubro --uma amostra representativa de 58% da população que se autodeclarada preta ou parda.

No caso da representatividade na eleição, 26 pontos percentuais separam os que têm menos e mais renda. Votar em candidatos negros foi considerado importante por 73% das pessoas das classes D e E, e por 47% das classes A e B.

O feminismo negro é visto como importante por 33% da classe mais pobre e por 18% dos mais ricos. Quanto maior a escolaridade, menor é a urgência atribuída ao movimento de mulheres antirracista: ensino superior (18%), médio (29%) e fundamental (30%).

Já o Dia da Consciência Negra foi considerado uma data importante para 91% dos entrevistados, mas o número é puxado principalmente pelos mais pobres: 85% dos entrevistados de classes D e E concordam que a data é um momento de luta. O percentual é maior do que entre entrevistados das classes A e B (72%).

RECORTE SOCIAL

Além do recorte de classe social, o estudo mapeou quais são consideradas as pautas mais urgentes para os negros. No topo, apareceu a inclusão no mercado de trabalho, prioritária na opinião de 46% dos entrevistados.

Essa parcela dos brasileiros têm um salário médio de 58% do salário dos brancos e juntos representam 65% dos desempregados do Brasil, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).   

Em seguida, foi apontado o racismo estrutural (44%), tema que permeia, por exemplo, a representatividade na política e o apagamento da história dos negros nos currículos escolares e universitários. Sete entre dez dizem não se sentir representados pelos governantes e consideram que as marcas comerciais tratam de forma superficial ou oportunista temas relacionados à negritude.

O feminismo negro foi apontado como tema urgente por 27% dos entrevistados, seguido pela matança de negros (24%). O alto número de mortes violentas é uma preocupação maior para os maios jovens, mais ricos e mais escolarizados.

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