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Doria diz que o policiamento em 'pancadões' não vai ser cancelado

por FolhaPress

03/12/2019 - 06h00

Divulgação

João Doria e secretário da Segurança, João Campos, ontem

São Paulo - Um dia após ação policial em um baile funk terminar com nove pessoas mortas em Paraisópolis, o governador João Doria (PSDB) afirmou que as políticas de repressão aos pancadões não vão mudar no Estado.

"As ações na comunidade de Paraisópolis e em outras comunidades de São Paulo, seja por obediência da lei do silêncio, por busca e apreensão de drogas ou fruto de roubos, vão continuar. A existência de um fato não inibirá as ações de segurança. Não inibe a ação, mas exige apuração", afirmou João Doria em entrevista à imprensa nesta segunda-feira (2).

Doria diz que pretende criar "opções de lazer saudáveis para jovens" nas periferias e que o episódio não pode ser classificado como letalidade policial.

CINCO MIL PESSOAS

O tumulto na favela da zona sul da capital no domingo (1) aconteceu em evento com mais de 5.000 pessoas. Imagens e relatos indicam que a multidão acabou encurralada pela polícia em vielas estreitas - alguns tropeçaram e acabaram mortos. As vítimas tinham entre 14 e 23 anos.

Moradores da periferia, em sua maioria negros, os mortos após a ação policial em Paraisópolis no domingo (1º) saíram de outros bairros da Grande São Paulo em busca de diversão no baile funk de rua mais famoso da capital.

Já a Polícia Militar afirma que três soldados faziam patrulhamento perto do baile quando foram alvo de disparos de suspeitos em uma moto, que, seguidos pelos agentes, fugiram, atirando, em direção ao evento. Esse teria sido o gatilho para o início da correria, segundo a corporação.

CULPADOS

Ao contrário de Doria, o comandante da PM, coronel Marcelo Vieira Salles, admite que procedimentos podem ser revistos. "Vamos reavaliar? Lógico que vamos. Quando há um problema grave como esse, temos que rever algumas coisas."

Já o secretário da Segurança Pública, general João Camilo Campos, defende a atuação da PM e fala em achar outros possíveis culpados, como os organizadores do evento.

"Os policiais foram profissionais. Se um deles tivesse disparado contra a população, teria sido um fato muito mais trágico", afirmou. "Vamos buscar quem eram os motociclistas, quem eram os organizadores do evento, quem é que está pagando este evento."

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