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Agências de risco aprovam queda de dívida brasileira

Consultores aguardam um PIB mais vigoroso à medida em que dívida bruta diminui

por Marcela Ayres

14/02/2020 - 06h00

Brasília - Em meio a indicações do governo de que a dívida bruta cairá em proporção ao PIB em 2020 pelo segundo ano consecutivo, as agências de classificação de risco têm reforçado que, para além de dados pontuais, querem ver a economia brasileira reagindo com mais força do que em seu cenário base, o que tem tardado a ocorrer.

Enquanto a Fitch prevê que o país crescerá 2,2% este ano, a S&P e a Moody's estimam um avanço de 2% - em todos os casos abaixo da perspectiva oficial do governo, de 2,4%.

"Nos últimos anos houve diminuição do déficit primário e nominal, mas ainda não ao ponto em que, no médio prazo, a dinâmica da dívida fica estável ou favorável", disse à Reuters a vice-presidente e analista sênior de ratings soberanos da Moody's, Samar Maziad.

"Isso é porque o crescimento ainda não se recuperou de forma forte o suficiente e porque o ajuste fiscal que é preciso para conter os gastos, essencialmente para fazer com que caibam nas receitas, ainda não foi completo", acrescentou.

Para Maziad, independentemente da política de pagamento antecipado de recursos do BNDES ao Tesouro --que tem ajudado a frear a dívida bruta sobre o PIB e que deve ser novamente empregada pelo governo neste ano-- os dois elementos que vão "realmente determinar a evolução da nota de crédito do Brasil" são um crescimento mais alto e a aprovação de reformas ligadas à diminuição do gasto no curto prazo.

ENCORAJADOR

Economistas ouvidos pelo Ministério da Economia, contudo, ainda projetam ligeira elevação do indicador a 76,20% do PIB em 2020 e 76,5% do PIB em 2021, conforme Prisma Fiscal divulgado nesta quinta-feira.

A analista principal do rating soberano brasileiro da S&P, Livia Honsel, avaliou que a diminuição da dívida bruta sobre o PIB em 2019 foi um sinal "encorajador", mas frisou que a metodologia da agência "segue tendências de dois a três anos em vez de só um resultado anual".

Para a nota de crédito do país subir um degrau, ela disse que a S&P aguarda um crescimento do PIB mais rápido que o projetado, uma redução também mais veloz do déficit fiscal nominal (que inclui o pagamento de juros da dívida), e uma estabilização da dinâmica de endividamento.

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