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Nacional

Bolsonaro diz que jamais entregará celular e critica ministro do STF

por Maria Carolina Marcello, Pedro Fonseca e Maria Pia Palermo/Reuter

22/05/2020 - 21h03

Reuters

Presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira, em entrevista à Jovem Pan, que jamais entregaria seu telefone celular ao Supremo Tribunal Federal (STF) e que só o faria se fosse um rato, após apresentação de notícia-crime pedindo a apreensão do aparelho do presidente no inquérito que analisa suposta interferência de Bolsonaro na Polícia Federal.

"Um ministro do STF querer o telefone do presidente da República, por causa de fake news, tá de brincadeira comigo", disse Bolsonaro, acrescentando que os Poderes são independentes e precisam saber o seu limite.

A notícia-crime que pede a apreensão do celular de Bolsonaro, apresentada por partidos de oposição, foi enviada à Procuradoria-Geral da República (PGR) pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, relator do inquérito. O envio do pedido à PGR para que ela se manifeste a respeito é praxe em investigações.

Bolsonaro disse que vai continuar respeitando o STF, mas acrescentou que o ministro "pecou".

Em nota, Celso de Mello diz que não pediu

apreensão de celular de Bolsonaro

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), informou na noite desta sexta-feira de que não determinou a busca e apreensão do telefone celular do presidente Jair Bolsonaro no inquérito que apura as acusações feitas pelo ex-ministro Sergio Moro sobre tentativa de interferência no comando da Polícia Federal, segundo nota do gabinete do magistrado.

Celso disse em nota que limitou-se a meramente encaminhar uma notícia de delito -- chamado tecnicamente de notícia-crime -- feita por 3 partidos políticos ao procurador-geral da República, Augusto Aras. Segundo ele, a medida tem amparo no Código de Processo Penal.

"Vê-se, portanto, que o Ministro Celso de Mello nada deliberou a respeito nem sequer proferiu qualquer decisão ordenando a pretendida busca e apreensão dos celulares das pessoas acima mencionadas, restringindo-se, unicamente, a cumprir os ritos da legislação processual penal. Nada mais além disso", disse a nota.

O despacho do ministro do Supremo gerou forte reação entre aliados do presidente. O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, classificou o pedido de apreensão do celular de Bolsonaro como "inconcebível" e que a decisão sobre a solicitação pode ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional.

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