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Internacional

Com 97% dos casos de Covid-19 na Argentina, Buenos Aires anuncia novo 'lockdown'

Será a partir de 1º de julho e vai até o próximo dia 17; só vão poder sair trabalhadores essenciais

por Sylvia Colombo/Folhapress

27/06/2020 - 05h00

PR Argentina

Presidente Alberto Fernández: pela velocidade de contágios, deveria haver quarentena total

"Vamos pedir aos habitantes da região metropolitana de Buenos Aires que voltem a ficar em casa a partir de 1º de julho e até o próximo dia 17. Só vão poder sair os trabalhadores essenciais. O resto, apenas para comprar alimentos e remédios, perto de casa."

Assim, no 99º dia de quarentena nacional contra o novo coronavírus, o presidente da Argentina, Alberto Fernández, avisou que a capital Buenos Aires e o chamado "conurbano", que faz parte da província de Buenos Aires, darão um passo atrás no processo de reabertura iniciado há quatro semanas.

Os comércios não essenciais que tinham começado a reabrir (lojas de roupas, livrarias, papelarias e outros), além de alguns setores da indústria, voltarão a ser fechados, anunciou nesta sexta (26).

Apenas os trabalhadores considerados essenciais (da área da saúde, do comércio de alimentos, de combustíveis, diplomatas, políticos e jornalistas) poderão usar o transporte público.

A verificação será feita pela polícia, e as permissões devem ser obtidas online, com apresentação de documentos – é necessário mostrar um QR code nas estações de trem e paradas de ônibus.

Também estão suspensas as atividades esportivas ao ar livre entre 20h e 8h, liberadas no começo de junho, mas que causaram aglomerações nos parques e praças.

Continua autorizada, porém, a saída de crianças com um dos pais, durante uma hora por dia, nos fins de semana, reguladas pelo número do documento de identidade - pares num dia, ímpares no outro.

O passo atrás do governo foi definido depois que os números de novos casos quadruplicaram na área metropolitana de Buenos Aires nas últimas semanas.

A região inclui a capital, governada pelo oposicionista Horacio Rodríguez Larreta, e seus arredores, que integram a província de Buenos Aires, comandada pelo kirchnerista Axel Kicillof.

Segundo dados divulgados pelo governo federal, 97% dos casos ocorrem na região metropolitana - nos últimos 20 dias, o número de infecções cresceu 140%, e o de mortos, 98%.

Havia muita discordância entre as autoridades, pois Larreta é a favor da reabertura econômica, enquanto Kicillof alertava sobre um possível colapso, nas próximas semanas, dos hospitais da província.

A nova fase da quarentena, que começou a ser definida entre Fernández, Kicillof e Larreta na noite de quinta-feira (25), acabou entrando pela madrugada. O anúncio ficou para esta sexta-feira (26) ao meio-dia.

Mas o governo mudou o formato da apresentação, e perguntas dos jornalistas não foram permitidas.

Em vez do auditório da residência oficial de Olivos, onde costumavam dividir uma mesa pequena, o anúncio foi feito num salão mais amplo, com uma mesa maior, com grande distância entre eles.

O presidente argentino usou o Brasil como contraexemplo para justificar as medidas: "Se a Argentina tivesse seguido o caminho do Brasil, hoje teria mais de 10 mil mortos. E nós já perdemos mais de mil argentinos desde o começo da pandemia".

Fernández disse que entende as preocupações com a economia, mas voltou a repetir que "uma economia que cai pode ser levantada, uma pessoa que morre, não".

Segundo a universidade americana Johns Hopkins, a Argentina registrou até esta sexta mais de 52 mil casos de Covid-19 e 1.167 mortes em decorrência da doença.

"O problema econômico da Argentina não é a quarentena, é a pandemia", disse Fernández.

Japão e EUA

A agência de notícias Kyodo informou nesta sexta, 26, que o número de novos casos diários de Covid-19 foi de 105 nas últimas 24 horas, passando de 100 pela primeira vez desde 9 de maio, o que está sendo interpretado como sinal de que o coronavírus está se espelhando com maior velocidade no país, a terceira economia do mundo. No total, de acordo com a Universidade Johns Hopkins, 18.161 casos de Covid-19 foram confirmados no Japão, e 971 pessoas morreram por causa da doença.

Com 40 mil novos casos de Covid-19 em um dia, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence diz que curva de contágio no país foi achatada. Mesmo assim, o epidemiologista Anthony Faucci, que integra a força-tarefa de combate ao coronavírus no país, afirmou que os Estados Unidos enfrentam um 'problema sério' em certas regiões.

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