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Ex-patroa depõe sobre queda de menino

'Ela não demonstrou arrependimento', diz Mirtes, a mãe de Miguel, após encontrar a ex-patroa em depoimento à polícia

por FolhaPress

30/06/2020 - 05h00

Mirtes com foto do filho conseguiu entrar na audiência

Recife - Mirtes Renata de Souza, mãe do garoto Miguel Otávio de Santana, 5 anos, que morreu no dia 2 de junho após cair do 9º andar de um prédio no Recife, se encontrou na manhã desta segunda-feira (29) com a ex-patroa. "Ela não demonstrou arrependimento nenhum", declarou, após falar com Sarí Gaspar Côrte Real, que prestou depoimento na delegacia de Santo Amaro, na zona norte do Recife. Mirtes disse que ouviu absurdos e chamou a ex-patroa de fria e calculista. "A cara dela mostra isso", afirmou.

Na tarde do dia 2 de junho, Miguel estava aos cuidados de Sarí, enquanto Mirtes, que trabalhava como empregada doméstica, passeava com a cadela da ex-patroa. A Polícia Civil de Pernambuco prendeu Sarí em flagrante por homicídio culposo após ela deixar Miguel sozinho no elevador, de onde ele se deslocou até um andar mais alto, escalou um buraco de ar condicionado, caiu e morreu. Ela foi liberada no mesmo dia depois de pagar fiança no valor de R$ 20 mil.

ESQUEMA ESPECIAL

Na manhã desta segunda-feira (29), ao ser informada que Sarí estava na delegacia prestando depoimento, Mirtes resolveu ir até o local.

Com a foto do filho nas mãos, se posicionou em frente ao carro no qual a ex-patroa chegou à delegacia. Afirmou que iria esperar ela sair porque precisava dizer algumas verdades.

Um esquema especial foi montado pela Polícia Civil de Pernambuco. Sarí Côrte Real chegou à delegacia de Santo Amaro pouco antes das 6h da manhã, acompanhada de advogados e do marido, o prefeito do município de Tamandaré, Sérgio Hacker (PSB). Ela foi ouvida pelo delegado Ramon Teixeira.

Mirtes questionou o fato de a ex-patroa ter sido ouvida antes do horário normal de abertura da delegacia. Disse que ela deveria ter esperado o local abrir normalmente como todas as outras pessoas fazem.

Às 10h50, acompanhada de um advogado, a mãe de Miguel entrou na delegacia. Ficou uma hora e meia lá dentro. Na saída, disse que Sarí afirmou que não havia apertado o botão do elevador e que não teve intenção de fazer nada. "Ela é um monstro, uma pessoa fria e calculista", declarou Mirtes.

Pouco tempo depois, por volta das 13h, sob gritos de "assassina", Sarí deixou o local sem falar com a imprensa. Houve tumulto. Policiais civis fizeram uma barreira para levá-la até o veículo.

RISCOS

Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco informou que os advogados de Sarí apresentaram requerimento ao delegado solicitando a realização do depoimento em horário mais cedo. O pedido foi aceito por levar em conta os argumentos relativos à possibilidade de aglomeração de pessoas e risco de agressão à depoente.

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