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Extrema pobreza é a menor em 40 anos

Levantamento que compara maio e junho, feito pelo IBGE, mostra melhora na renda; em julho, endividados aumentaram

por Agência Brasil

29/07/2020 - 05h00

Secom/Leg/MA

Funcionários da Assembleia Legislativa do Maranhão distribuem cestas básicas: complemento

Rio de Janeiro - A faixa da população que vive em extrema pobreza foi a menor dos últimos 40 anos no Brasil, na passagem de maio para junho deste ano.

É o que revela levantamento feito pelo pesquisador Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Covid 19 (Pnad Covid-19) de junho, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e nos parâmetros do Banco Mundial na definição de linha de pobreza.

Duque destacou que os níveis são os menores já registrados por todas pesquisas domiciliares brasileiras, mas disse que a comparação não é perfeita porque a abrangência do modelo dos levantamentos mudou ao longo dos anos.

De acordo com a Pnad Covid 19, a faixa dos que vivem com menos de US$ 1,90 por dia, ou R$ 154 mensais, considerada de extrema pobreza caiu de 4,2% (8,8 milhões de pessoas) para 3,3% (6,9 milhões de pessoas) de maio para junho deste ano. Já a referente à parcela dos que vivem com menos de US$ 5,50 por dia, ou R$ 446 mensais, ou na faixa de pobreza, caiu de 23,8% para 21,7%.

AUXÍLIO EMERGENCIAL

Para o pesquisador, as reduções coincidem com o aumento da cobertura do auxílio emergencial. Duque lembrou que, de maio para junho, o total de contemplados com o benefício passou de 45% para cerca de 50% da população, principalmente, os mais pobres. Para ele, o aumento da cobertura foi possível com a redução dos problemas de acesso ao benefício ocorridos inicialmente. "Em abril e maio ainda havia pessoas que estavam demorando a ser autorizadas', disse Duque em entrevista à Agência Brasil.

O pesquisador acrescentou que a Pnad Covid 19 do mês de junho mostrou ainda que, mesmo quem não recebeu o auxílio, teve aumento de renda. "Houve incremento de renda na população entre 20% e 30% mais pobre, que teve aumento, fora o auxílio. No entanto, o auxílio foi mais predominante, gerando aumento de quase R$ 40 por pessoa entre os 10% mais pobres. Entre os 10% e 20% mais pobres, o aumento foi de R$ 20 e, entre os 20% e 30% mais pobres, de pouco mais de R$ 23." Segundo Duque, o principal responsável foi o auxílio emergencial, que aumentou cerca de R$ 40 para os mais pobres [a faixa mais baixa] e R$ cerca de R$ 20 para os outros."

Endividamento é recorde em julho, principalmente entre os mais pobres

São Paulo - O percentual de famílias com dívidas no País renovou recorde histórico em julho, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O cenário é pior para as famílias com renda de até dez salários mínimos. Entre os entrevistados, aumentou o número dos que afirmaram que estão com as contas atrasadas e dos que não terão como pagar a dívida.

O levantamento usa apenas os 20 primeiros dias do mês. Em julho, o total de endividados foi de 67,4%, frente a 64,1% em igual período do ano passado e a 67,1%, em junho. Já o porcentual dos que estão sem pagar contas é de 26,3% e o dos que não vão ter como quitar suas dívidas, de 12%.

O cartão de crédito segue liderando o ranking dos principais tipos de dívida, com 76,2% do total. Em seguida aparecem carnês, com 17,6%, e o financiamento de veículos, com 11,3%. Porém, nos últimos meses, na pandemia,ganharam relevância as dívidas com crédito consignado, crédito pessoal, carnês e as modalidades de financiamento.

CHANCE DE PAGAR

Em relação à capacidade de pagamento, entre as famílias endividadas, a parcela média da renda comprometida com dívidas alcançou 30,3% da renda, ante 30,4%, em junho, e 29,9% em julho do ano passado. É a primeira queda apresentada pelo indicador também desde janeiro de 2020.

O tempo médio de comprometimento com dívidas entre as famílias endividadas tem aumentado, segundo a CNC, e chegou a 7,4 meses em julho, sendo que 21,2% delas estão comprometidas com dívidas até três meses; e 34,5%, por mais de um ano.

A confederação defende ainda a ampliação do acesso ao crédito com custos mais baixos e o alongamento dos prazos de pagamento das dívidas, para, com isso, mitigar o risco do crédito no sistema financeiro.

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