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Nacional

OMS: vacina é questão de soberania

Organização Mundial de Saúde diz que cada país deve decidir se compra ou não as vacinas em estudo contra Covid

por Estadão Conteúdo

24/10/2020 - 05h00

Reuters

Michael Ryan e Tedros Adhanom: vale a soberania nacional

Genebra - O diretor-executivo da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan, afirmou em entrevista coletiva nesta sexta (23) que a compra de vacinas é assunto da "soberania nacional" dos países, e que acredita "que o governo federal vai trabalhar no que é melhor para o Brasil", em resposta ao anúncio de Jair Bolsonaro de não adquirir os imunizantes chineses. Ainda sobre a situação brasileira, Ryan afirmou que cada país tem uma condição singular, tendo de ser observada a trajetória do vírus, mas que há atualmente uma "infraestrutura científica muito forte", e que "as condições agora são melhores" do que no começo da pandemia. Mesmo assim ele acrescentou que o órgão vai avalizar ou não cada uma das vacinas pesquisadas sem olhar a origem da fabricação: "escolheremos ciência e não nacionalidade".

A OMS deve começar a ter à disposição dados sobre eficácia das vacinas em novembro, e que no principio de 2021, a instituição deve se posicionar sobre a recomendação de imunizantes específicos. A este passo, deve se seguir uma aplicação das vacinas em pessoas de grupos de risco, que a cientista espera que seja de forma bem distribuída globalmente. Defendendo a iniciativa Covax, afirmou que é a melhor opção para os países garantirem a vacina, citando inclusive o Brasil. "Temos de balancear as expectativas", ponderou, lembrando que apenas entre 10 e 20% das vacinas costumam ser eficazes, mas que há, "felizmente", muitas candidatas para a Covid.

REMDESIVIR

Em relação à liberação do remdesivir, anunciada nesta quinta (22) pela Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de remédios e alimentos dos EUA, Ryan afirmou que as instituições podem liberar medicamentos que não necessariamente serão utilizados nas terapias, não havendo conflito. A cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, indicou que os dados nos quais a FDA se baseou não levaram em conta o resultado da pesquisa Solidariedade, que não havia registrado queda na mortalidade a partir da prescrição do remdesivir.

Hemisfério Norte

"Alguns países viram aumento exponencial de casos e situação é crítica, em especial no Hemisfério Norte", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom. O diretor instou governos a fazerem o possível para "impedir o colapso dos serviços de saúde e que escolas fechem outra vez", além de "ajudar famílias e negócios a se manterem", pedindo apoio velado para a Europa onde vários países (sem citar quais) já enfrentam uma segunda onda da Covid-19. 

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