Bauru e grande região

 
Nacional

Ao G20, Bolsonaro refuta debate racial

Presidente defende reforma na OMC, celebra combate à Covid e fala do direito de cada um escolher se quer ser vacinado

por FolhaPress

22/11/2020 - 05h00

Marcos Corrêa/PR

Presidente Jair Bolsonaro, durante sua participação na cúpula do G20, na manhã deste sábado

Brasília - O presidente Jair Bolsonaro contestou neste sábado (21) durante a cúpula do G20 o debate sobre racismo no País dizendo que há quem queira alimentar o conflito e o ódio entre a população. "O Brasil tem uma cultura diversa, única entre as nações. Somos um povo miscigenado", afirmou. "Foi a essência desse povo que conquistou a simpatia do mundo. Contudo, há quem queira destruí-la, e colocar em seu lugar o conflito, o ressentimento, o ódio e a divisão entre raças, sempre mascarados de 'luta por igualdade' ou 'justiça social'. Tudo em busca de poder", disse.

Ele disse que há interesses para se criar tensões no País e que um povo dividido fica enfraquecido. "Um povo vulnerável pode ser mais facilmente controlado e subjugado. Nossa liberdade é inegociável", disse. "Enxergo todos com as mesmas cores, verde e amarelo. Não existe uma cor de pele melhor do que a outra. O que existem são homens bons e homens maus, e são as nossas escolhas e valores que determinarão qual dos dois nós seremos", afirmou.

"Aqueles que instigam o povo à discórdia, fabricando e promovendo conflitos, atentam não somente contra a nação, mas contra nossa própria história", disse. O presidente afirmou ainda que há "tentativas de importar para o nosso território tensões alheias à nossa história".

As declarações são dadas um dia após protestos pela morte de um homem negro por seguranças de um supermercado. João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, foi espancado e morto na noite de quinta-feira (19) por dois seguranças de uma unidade do Carrefour em Porto Alegre. Ele morreu sob as vistas de testemunhas e teve seu assassinato filmado na véspera do Dia da Consciência Negra.

Bolsonaro ainda defendeu reformas na Organização Mundial do Comércio (OMC) que sigam três eixos: negociações, solução de controvérsias e monitoramento e transparência. Segundo ele, o governo também espera que o órgão de apelação da OMC possa voltar à plena operação o mais rápido possível.

"Na reforma da Organização, queremos que a ambição de reduzir os subsídios para bens agrícolas conte com a mesma vontade com que alguns países buscam promover o comércio de bens industriais", afirmou.

Bolsonaro disse também que espera que o processo de reforma da OMC contemple o estímulo aos investimentos e a criação de condições justas e equilibradas para o comércio internacional, não só de bens, mas também de serviços.

Apesar da possibilidade de uma nova onda do coronavírus no País, Bolsonaro buscou ressaltar a visão de uma recuperação na economia brasileira. "À medida que a pandemia é superada no Brasil, a vida das pessoas retorna à normalidade e as perspectivas para a retomada econômica se tornam mais positivas e concretas.

Mais cedo, Bolsonaro afirmou em vídeo de apresentação para a cúpula do G20, que o governo estava certo em seu entendimento sobre a pandemia do coronavírus", disse. E afirmou que o governo quer dar continuidade ao programa de reformas na economia para fortalecer e estimular o crescimento sustentado do Brasil.

"Desde o início, ressaltamos que era preciso cuidar da saúde e da economia simultaneamente. O tempo vem provando que estávamos certos", disse no vídeo, gravado e divulgado antes da reunião entre os líderes que começou às 10h.

O presidente disse que o governo apoia o acesso universal, equitativo e a preços acessíveis aos tratamentos disponíveis. Bolsonaro defendeu, no entanto, que as vacinas contra a Covid-19 sejam opcionais. No vídeo deste sábado, o presidente afirmou que a cooperação no âmbito do G20 é essencial para superar a pandemia. Leia mais na pág. 24.

Ler matéria completa