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Ministro prorroga inquérito sobre interferência do presidente na PF

Ministro Alexandre de Moraes pede que a PGR opine sobre anúncio de Bolsonaro, que desistiu de prestar depoimento

por Estadão Conteúdo

28/11/2020 - 05h00

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Alexandre de Moraes prorrogou inquérito por mais 60 dias

Brasília - O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, prorrogou por mais 60 dias o inquérito sobre suposta interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal e pediu manifestação do procurador-geral da República Augusto Aras sobre a desistência de Bolsonaro em prestar depoimento no caso. Por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), Bolsonaro informou na quinta, 26, que abria mão da oitiva e solicitava que o processo fosse encaminhado para a elaboração de relatório final. 

Em despacho divulgado nesta sexta (27), Moraes pede que Aras opine sobre a necessidade do depoimento de Bolsonaro para as investigações. A manifestação deverá ser encaminhada em até cinco dias. O ministro também prorroga o inquérito - o prazo para o fim das investigações foi uma das justificativas elencadas por Bolsonaro para abrir mão do depoimento e pedir que a PF conclua as apurações.

Moraes é o relator da investigação desde a aposentadoria do ministro Celso de Mello, que conduziu o processo até setembro deste ano.

O depoimento do presidente é a única etapa que falta para a conclusão das investigações. Assim que for finalizado, o relatório da PF será enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR), a quem cabe decidir se há provas suficientes para a apresentação de uma denúncia contra Bolsonaro.

ACUSAÇÃO

Agora, a AGU justificou a desistência do presidente alegando que a divulgação da reunião ministerial do dia 22 de abril, marcada por ofensas e xingamentos e tornada pública por ordem do então ministro Celso de Mello, 'demonstrou completamente infundadas quaisquer das ilações que deram ensejo ao presente inquérito'.

As investigações apuram acusações do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, sobre suposta interferência indevida de Bolsonaro para trocar o comando da PF. Em abril, o ex-juiz da Lava Jato deixou o governo após pressão do Planalto para substituir o então diretor-geral da corporação, Maurício Valeixo, pelo diretor da Abin, Alexandre Ramagem, um nome próximo da família presidencial.

 

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