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Variante do coronavírus identificada em Manaus já tem registros em 17 estados do Brasil

por FolhaPress

23/02/2021 - 16h48

Reprodução redes sociais

Coronavírus

Alvo de estudos pela possibilidade de ser mais transmissível, a variante do coronavírus chamada de P.1, identificada originalmente no Amazonas, já tem casos em ao menos 17 estados do país, aponta balanço divulgado pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira (23).

O levantamento foi feito a partir de dados enviados pelas secretarias estaduais de saúde, os quais abrangem informações até o dia 20 de fevereiro. Para comparação, balanço de 12 de fevereiro apontava que a variante tinha sido identificada em dez estados.

Segundo a pasta, os registros da variante P.1 já somam ao menos 184 casos no país —especialistas, porém, apontam possibilidade de que o número seja maior, já que apenas uma amostra dos casos de Covid costuma ser alvo de análise para sequenciamento genômico, modelo que permite essa identificação.

Além do Amazonas, que teve ao menos 60 casos já analisados, os estados com maior número de registros são São Paulo (com 28 casos já identificados), Goiás (15), Paraíba (12), Pará (11), Bahia (11) e Rio Grande do Sul (9).

Também há registros da variante já identificados em Roraima (7), Minas Gerais (6), Paraná (5), Sergipe (5), Rio de Janeiro (4), Santa Catarina (4), Ceará (3), Alagoas (2), Pernambuco (1) e Piauí (1).

Além dessa variante, balanço do ministério aponta que já foram identificados no país ao menos 20 casos de outra "variante de atenção", caso da observada originalmente no Reino Unido. Os registros ocorreram em São Paulo, Bahia, Goiás e Rio de Janeiro.

Em 12 de fevereiro, a pasta chegou a informar que a variante tinha sido identificada no Distrito Federal, mas os registros eram de Goiás, informou nesta terça (23).

Ainda segundo o ministério, não há registro até o momento de circulação da variante descoberta na África do Sul, a qual também tem chamado a atenção de especialistas.

A pasta diz ter enviado nesta terça (23) uma nova nota técnica aos estados com informações atualizadas sobre os casos. "O documento orienta ainda medidas que devem ser adotadas e intensificadas pelas secretarias de saúde estaduais, a fim de monitorar e evitar a propagação das novas variantes no país", aponta. A pasta não informou quais seriam essas ações.

Em nota anterior, a orientação incluía recomendar evitar viagens não essenciais, "em particular para áreas com incidência significativamente elevada da nova variante", intensificar o rastreamento de contatos e isolamento de casos e alertar o ministério em até 24h sobre nova identificações.

Atualmente, a chamada vigilância genômica é feita na rede de saúde principalmente por três laboratórios: Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Adolfo Lutz e Instituto Evandro Chagas. A cada mês, um número específico de amostras é enviado pelos estados a esses locais.

Em nota, o ministério lembra que a análise do resultado é utilizada para quantificar e qualificar a diversidade genética viral circulante no país, e não serve como método de diagnóstico. "Para a saúde pública, o sequenciamento genético do vírus Sars-CoV-2, aliado a outros estudos, possibilita sugerir se as mutações identificadas podem influenciar potencialmente na patogenicidade, transmissibilidade, além de direcionar medidas terapêuticas, diagnósticas ou ainda contribuir no entendimento da resposta vacinal", informa.

Além desses, outros laboratórios públicos e privados também fazem essas análises.

"Por isso, muitos resultados podem ter sido notificados apenas aos municípios ou estados ou, até mesmo, ainda não terem sido notificados a nenhum ente do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo depositados apenas em sites abertos de sequenciamento genômico", reforça.

Como o jornal Folha de S.Paulo mostrou, a falta de recursos e dificuldade em obter insumos, no entanto, dificultam a expansão dessa vigilância, necessária para identificar novas variantes do Sars-CoV-2.

Recentemente, a pasta iniciou um projeto-piloto para analisar 1.200 amostras de coronavírus, na tentativa de ampliar a vigilância. O trabalho deve envolver quatro laboratórios (Adolfo Lutz, Evandro Chagas e os laboratórios de saúde pública da Bahia e de Minas Gerais). A previsão é que a iniciativa dure por pelo menos quatro meses.

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