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Ricardo Salles vai à Câmara, evita perguntas de deputados e ataca PT

Salles se esquiva de perguntas sobre madeira apreendida em audiência

por FolhaPress

04/05/2021 - 05h00

José Cruz/Agência Brasil

Ministro Ricardo Salles

Brasília - Protegido pela presidente da comissão do Meio Ambiente, a bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP), o ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) aproveitou seu comparecimento no colegiado da Câmara para culpar governos do PT pela redução do Orçamento da pasta e fugir de perguntas sobre a operação da Polícia Federal que apreendeu madeira no Pará.

Nesta segunda-feira (3), Salles esteve durante três horas em audiência pública conjunta das comissões do Meio Ambiente e de Viação e Transportes.

A reunião foi presidida por Zambelli, que, logo no início, deixou claro para o ministro que ele poderia optar por responder apenas a questionamentos dos deputados envolvendo os temas dos requerimentos da audiência -desmatamento, redução do Orçamento do ministério e licenciamento ambiental.

Foi a senha para o ministro ignorar todas as perguntas envolvendo a maior apreensão de madeira da história do país, episódio que levou à troca do delegado Alexandre Saraiva da chefia da Polícia Federal do Amazonas. Na ocasião, Salles, inclusive, saiu em defesa de madeireiros e afirmou que demonizar o trabalho desses empresários só aumentaria o desmatamento.

Na audiência, ao ser questionado sobre o episódio, Salles se recusou a responder. 

Citando dados da emissora CNN Brasil, Salles falou sobre a evolução do Orçamento da pasta nos últimos 11 anos. Ele argumentou que, apesar dos três anos seguidos de corte no governo de Jair Bolsonaro (sem partido), a grande redução do ministério se deu entre 2014 (R$ 9 bilhões) e 2015 (R$ 4,5 bilhões), quando o país era comandado pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Salles também citou o baixo volume de emendas parlamentares para o Meio Ambiente para justificar a falta de recursos da pasta.

O ministro disse ainda que "nem de longe" o desmatamento em 2020 foi recorde no Brasil e citou o desmate maior registrado nos anos de 2004, 2005 e 2006. De agosto de 2019 a julho do ano passado, foram derrubados 11.088 km² de floresta. Em 2004, o pico foi de 27,2 mil km² desmatados.

RODRIGO AGOSTINHO

Ao ser questionado por deputados de oposição, Salles fez questão de citar o volume de emendas destinado pelo parlamentar à pasta, gerando críticas de quem era citado. "Ele partiu para o ataque. Usou as emendas individuais impositivas que não são para políticas públicas para atacar deputados", criticou o deputado Rodrigo Agostinho (PSB).

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