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Fernández é comparado a Maduro

Após declarações de presidente argentino Alberto Fernández, presidente brasileiro ironiza e o compara a venezuelano

por Gustavo Côrtes e Matheus de Souza

11/06/2021 - 05h00

Citação do argentino (dir.) ao premiê espanhol (esq.) repercute

Brasília - O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, ironizou nesta quinta-feira (10) as declarações dadas por seu colega argentino, Alberto Fernández, na quarta-feira (9) na Casa Rosada. Ao lado de Pedro Sánchez, premiê espanhol, Fernández quis enaltecer seu lado europeísta e afirmou que os brasileiros vieram da "selva", enquanto argentinos, de "barcos da Europa". Ontem, Bolsonaro comparou a fala do argentino com as conversas do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, com pássaros.

"Presidente da Argentina falou que eles vieram da Europa, de barco, nós viemos da selva, né?", afirmou Bolsonaro aos apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada. "Eu lembro que, logo depois que o (Hugo) Chávez (ex-presidente venezuelano) morreu, assumiu o Maduro, e ele falava que conversava com os passarinhos que estavam encarnados na figura do Chávez", disse. "Acho que para Maduro e Fernández não tem vacina."

SAIA-JUSTA

De uma tacada só, Fernández causou uma saia-justa no Brasil e no México. Ao confundir uma citação, o presidente argentino disse que os mexicanos vieram dos índios, os brasileiros vieram da selva, e os argentinos, de barco da Europa. Ele creditou sua declaração a uma frase erroneamente atribuída ao diplomata mexicano e Nobel da Paz Octavio Paz, que teria dito "os mexicanos são descendentes de astecas, os peruanos dos incas e os argentinos dos barcos".

Imediatamente, no entanto, a imprensa argentina identificou que o trecho vem de uma música chamada 'Llegamos De Los Barcos', do cantor argentino Litto Nebbia, que é amigo de Fernández.

Após a repercussão negativa da declaração, principalmente entre brasileiros e mexicanos, que consideraram a fala ofensiva, Fernández pediu desculpas pelas redes sociais.

MACRI

Ontem, Bolsonaro ainda disse ter conversado com o ex-presidente da Argentina Mauricio Macri por mensagem e minimizou o possível atrito entre os dois países. "Troquei mensagem por 'zap' hoje (ontem) com o ex-presidente Macri, da Argentina. Não tem nenhum problema entre nós, nem com o povo argentino. Rivalidade com a Argentina, só no futebol."

A relação entre Bolsonaro e Fernández, porém, tem sido marcada por confrontos. O brasileiro fez campanha pela reeleição de Macri, derrotado nas urnas, e criticou uma visita que o colega argentino fez ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha. Bolsonaro também não compareceu à posse do presidente do país vizinho.

Novo embaixador dos EUA será determinado por escolha política

O novo embaixador dos EUA no Brasil será determinado pela Casa Branca, e não pelo Departamento de Estado, pasta responsável pela diplomacia americana. Assim, o próximo ocupante da embaixada em Brasília será um indicado político, que pode ser tanto um grande doador da campanha do presidente Joe Biden como alguém ligado ao Partido Democrata, e não um diplomata de carreira.

O novo embaixador ou embaixadora substituirá Todd Chapman, que anunciou sua aposentadoria via Twitter nesta quinta (10). O cargo é considerado estratégico para melhorar a relação entre os dois países.

Chapman estava em situação delicada porque era visto como um nome alinhado ao ex-presidente Donald Trump. Em agosto, chegou a ser questionado pelo deputado democrata Eliot Engel, presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, se estaria fazendo campanha aberta por Trump.

Segundo reportagem do jornal O Globo, o embaixador teria pedido a autoridades brasileiras a redução de tarifas de importação do etanol americano sob a justificativa de que a medida ajudaria a reeleger Trump.

Dentro da embaixada, Chapman era alvo de críticas por se reunir frequentemente com membros do clã Bolsonaro sem máscara. As relações entre os governos Biden e Bolsonaro ainda estão estremecidas. Em sua primeira visita à América Latina, Juan González, responsável pelo hemisfério ocidental no Conselho de Segurança Nacional, não passou pelo Brasil -visitou Colômbia, Argentina e Uruguai.

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