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Para Haddad, polarização entre Lula e Jair Bolsonaro é inevitável

Para ex-ministro, cenário atual é totalmente diferente do ocorrido nas eleições de 2018, com eleitores revendo posicionamento

por Tânia Morbi

22/07/2021 - 05h00

Wilson Dias/Agência Brasil

Fernando Haddad acredita que não haverá espaço para terceira via

Bauru - Seja quem for o escolhido para governar o Brasil, a partir de 2022 terá a incumbência de refazer os rumos do País, principalmente pelos efeitos da pandemia, especialmente na Educação. Por oito anos, o professor universitário Fernando Haddad (PT) foi ministro da Educação. Haddad, que também foi prefeito de São Paulo, fala sobre projetos, política e a polarização na disputa ao governo federal que, em sua opinião, não terá espaço para uma terceira via entre o ex-presidente Lula da Silva e Jair Bolsonaro.

O ex-ministro trabalha atualmente na finalização do Plano de Reconstrução de São Paulo, documento que pretende fazer uma radiografia do Estado. "Estou estudando o Estado, o que significa mergulhar nos dados, vocação de cada região, o que cada região tem de potencial, quais estão sofrendo mais com falta de oportunidades e o que está perdendo com os 28 anos de PSDB".

A expectativa é concluir o levantamento até o final do ano, para que sirva de base às conversas políticas em torno do nome alternativo às eleições estaduais de 2022. "Estamos conversando com os partidos que são oposição ao (João) Doria e ao (presidente Jair) Bolsonaro. Podemos ter uma grande coalização de forças para apresentar uma alternativa em São Paulo", afirmou.

O trabalho político em âmbito estadual ocorre após a conclusão, por parte da Fundação Perseu Abramo, da qual é presidente do Conselho Curador do Plano de Reconstrução do Brasil, documento publicado em novembro do ano passado, que reúne as propostas para um possível governo de esquerda no Brasil.

Ainda na Educação, Haddad criticou o projeto de escolas cívico-militares, que segundo ele, não encontra presença em governos democráticos. "Isso só existe em governos ditatoriais. Não se vê no mundo civilizado nenhuma proposta neste sentido. Não tem na Europa, nos Estados Unidos, na América Latina, não tem em lugar nenhum. Isso é mais um slogan para vender uma ilusão do que um plano de trabalho", disse.

Sobre a possível polarização nas eleições federais em 2022, entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), Haddad defendeu que o cenário atual é diferente do ocorrido nas eleições de 2018, por isso, acredita que a polarização não poderá ser evitada. "Uma parcela significativa dos eleitores do Bolsonaro de 2018 está revendo seu posicionamento, algumas pesquisas falam que 1/3 de seu eleitorado migrou os votos para Lula. Entendo que a polarização é natural no sentido de que um é presidente da República e outro foi por oito anos. Daí, a dificuldade de vingar uma terceira candidatura", opinou.

E ainda avaliou que as eleições à Presidência da República, no ano que vem, serão diferentes da que elegeu Bolsonaro. "O Bolsonaro apareceu como uma novidade que ele não era em meio a uma terra arrasada de final do mandato Temer, e as fakenews foram muito pesadas. Essas duas condições não existem da mesma maneira. A artilharia dele de fakenews vai ter mais dificuldade em operar. Em geral, elas funcionam com pessoas que estão começando a carreira política", concluiu.

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