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Bolsonaro fará mudanças no governo

Previsão é dar mais poder ao centrão no Congresso; por enquanto, desenho envolve Casa Civil e Ministério Economia

22/07/2021 - 05h00

Fotos Públicas

Presidente Jair Bolsonaro afirma que mudanças serão concretizadas até a próxima semana

Brasília - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) prepara uma reforma ministerial com a previsão de dar mais poder ao centrão, bloco político que se tornou sua base de sustentação no Congresso. O mandatário disse nesta quarta-feira (21) que as mudanças ocorrerão até a próxima semana, mas a expectativa é a de que se concretizem até sexta (23).

O desenho definido por enquanto envolve trocas em três pastas: o senador Ciro Nogueira (PP-PI) vai para a Casa Civil no lugar do general Luiz Eduardo Ramos, que passa para a Secretaria-Geral, hoje ocupada por Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Já Onyx, pelos planos atuais, ocupará o Ministério do Trabalho, que será recriado com a publicação de medida provisória prevendo a divisão do Ministério da Economia, de Paulo Guedes.

Há ainda uma indefinição no governo a respeito do nome que terá o novo ministério e se ele acumulará ou não as funções da Secretaria da Previdência, que hoje faz parte da Economia.

A aliança de Bolsonaro com o centrão, buscada pelo presidente no ano passado diante de uma série de pedidos de impeachment que já se acumulavam na Câmara, enterrou de vez o discurso bolsonarista, explorado à exaustão durante a campanha de 2018, de que o presidente não se renderia ao que chamava de a velha política do "toma lá, dá cá".

Hoje o governo Bolsonaro tem 22 ministérios, sete a mais do que os 15 prometidos na campanha eleitoral -sob a gestão de Michel Temer (MDB), seu antecessor, eram 29 ministérios. A administração atual chegou a ter 23 ministérios, mas o Banco Central perdeu este status com a aprovação de sua autonomia.

Um dos objetivos da troca é organizar a base do governo e dar mais visibilidade a ações de Bolsonaro que serão tomadas daqui em diante, como a reformulação do Bolsa Família, considerada peça-chave para a campanha à reeleição do mandatário em 2022. Além disso, o presidente pretende se aproximar ainda mais do centrão.

Rearranjos

A possível troca na Casa Civil também contempla a insatisfação no Congresso com o atual ministro, o general da reserva Luiz Eduardo Ramos. Jair Bolsonaro estava sendo pressionado a trocar o general da Casa Civil e estudava fazer essa alteração. Auxiliares de Bolsonaro relataram que Ramos demonstrou insatisfação com a mudança. Bolsonaro avalia que precisa melhorar sua articulação política, especialmente no Senado, onde a CPI da Covid avança sobre o governo e onde tramitam duas significativas indicações do Palácio do Planalto - a do atual advogado-geral da União, André Mendonça, para uma vaga no STF e a da recondução de Augusto Aras ao comando da Procuradoria-Geral da República. O plano de alterações no governo também se consolidou após Bolsonaro afirmar que vai vetar um fundo eleitoral turbinado de R$ 5,7 bilhões. O rearranjo no Palácio do Planalto também pode ter componente eleitoral, uma vez que Bolsonaro teve seus planos de ingresso no nanico Patriota dificultados por problemas internos da legenda. Diante disso, o mandatário voltou a considerar filiação ao PP.

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