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Presidente ouve homilia com alertas sobre Covid-19, desemprego e armas

Na missa, Bolsonaro foi encarregado de fazer a primeira leitura; estava acompanhado dos ministros Marcos Pontes e João Roma

13/10/2021 - 05h00

Eduardo Anizelli/Folhapress

O presidente Jair Bolsonaro participa de missa no Santuário Nacional Aparecida, nesta terça

Aparecida - O presidente Jair Bolsonaro esteve no Santuário Nacional Aparecida na tarde desta terça (12), onde foi recebido com aplausos e vaias e ouviu um sermão com referências à situação atual do País, incluindo desemprego, Covid e desarmamento. Mais cedo, antes da chegada do mandatário, o arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes, fez alertas sobre o armamento da população, o discurso de ódio e as notícias falsas e defendeu a ciência e a vacinação contra o coronavírus.

Bolsonaro chegou ao local pouco antes das 14h, usando máscara de proteção. Na missa, foi encarregado de fazer a primeira leitura. Estava acompanhado dos ministros Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) e João Roma (Cidadania). Ao chegar de helicóptero ao Santuário Nacional, o presidente foi aplaudido por um grupo, aos gritos de "mito, mito", e vaiado por outro, aos gritos de "fora, Bolsonaro".

Pela manhã, na principal missa do dia, dom Orlando Brandes pregou: "Hoje é o Dia das Crianças. Vamos abraçar os nossos pobres e também nossas autoridades para que juntos construamos um Brasil pátria amada. E para ser pátria amada não pode ser pátria armada". O arcebispo de Aparecida fez referência ao slogan "Pátria Amada Brasil", utilizado por Jair Bolsonaro, que é defensor do armamento da população. O religioso criticou o que chamou de "criança-fuzil".

Na última quinta-feira (30), em evento em Belo Horizonte com a presença do governador de Minas, Romeu Zema (Novo), Bolsonaro recebeu no palco uma criança de 6 anos que empunhava uma arma de brinquedo. O presidente simulou que atirava para cima e carregou a criança sobre os ombros.

"Pátria amada não é transformar crianças em crianças-fuzil. Pátria amada não é transformar a criança em consumista. As crianças precisam de outras armas, da oração, da obediência, da convivência com seus irmãos", disse dom Brandes. O religioso também fez uma alerta sobre o discurso de ódio e as notícias falsas.

Pela paz

À tarde, durante a missa, Jair Bolsonaro se manteve de máscara a maior parte do tempo (mas tirou na hora da liturgia) e, em dado momento, foi convidado pelo arcebispo dom Orlando Brandes a fazer a consagração da imagem de Aparecida, que estava no centro do altar. O presidente já se declarou católico, mas politicamente é mais próximo de lideranças evangélicas e tem na população evangélica uma de suas principais bases de apoio. Ainda na presença de Bolsonaro, o padre José Ulisses, diretor da Academia Marial de Aparecida, fez um discurso discreto, mas cheio de referências à atual situação do País. O religioso seguiu seu discurso dirigindo-se aos familiares das mais de 600 mil vítimas da Covid-19. O religioso ainda elogiou os "bem aventurados" que promovem a paz. "Que haja mais desarmamento, mais felicidade e mais humanidade", disse ele olhando na direção de Bolsonaro e de seus ministros. No final da missa, o arcebispo dom Orlando Brandes agradeceu a presença de Bolsonaro e de seus ministros. O presidente foi embora após o fim da missa sem falar com a imprensa.

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