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Guerra do tráfico já deixou 160 mortos na fronteira com Paraguai

No lado brasileiro foram 74 mortes até setembro, segundo levantamento

por Estadão Conteúdo

13/10/2021 - 05h00

São Paulo - A disputa pelas rotas do tráfico de drogas que abastecem Estados brasileiros e outros países já causou a morte de ao menos 160 pessoas este ano, na fronteira do Brasil com o Paraguai. No lado brasileiro, foram 74 mortes até setembro, segundo dados da Polícia Civil. Uma em cada quatro mortes no Estado acontece nos dez municípios da região. Em seis municípios do lado paraguaio, houve ao menos 86 mortos. Segundo as autoridades, a região está em guerra desde 2016, quando a facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) passou a controlar o tráfico na fronteira.

No sábado, quatro pessoas foram executadas em um atentado em Pedro Juan Caballero, cidade separada de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, por apenas uma rua. Outras três pessoas foram baleadas, mas sobreviveram. A chacina vitimou duas estudantes brasileiras de Medicina, Karine Reinoso de Oliveira, de 21, e Rhannye Jamilly Borges de Oliveira, de 19. Morreu ainda a paraguaia Haylle Carolina Acevedo Yunis, de 21, sobrinha do governador do departamento de Amambay, Ronald Acevedo. Haylle é também sobrinha do político José Carlos Acevedo que, neste domingo, foi eleito prefeito de Pedro Juan Caballero pela quarta vez consecutiva.

Conforme a polícia paraguaia, o alvo era Osmar Vicente Alvarez Grance, 29 anos, supostamente ligado ao narcotráfico. Ele recebeu grande parte dos tiros, a maioria na cabeça. A sobrinha do governador era sua namorada. Ela e as colegas brasileiras cursavam Medicina na Universidade Central do Paraguai, em Pedro Juan. Ainda segundo a polícia, foram disparados 107 tiros de pistolas e de fuzis Ak-47 e AR-15.

A polícia paraguaia acredita que o ataque em Pedro Juan foi ordenado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), a facção paulista que se infiltrou no país vizinho para controlar as rotas de envio de drogas e armas para as organizações criminosas brasileiras e do exterior. Osmar Grance, conhecido como Bebeto, era o dono de uma lavanderia onde 13 membros da facção foram presos, em março deste ano, durante uma assembleia do PCC. Há suspeita de que Bebeto tenha facilitado a ação da polícia.

Nessa operação foi preso Weslley Neres dos Santos, o Bebezão, que na época liderava a facção no Paraguai. Bebeto também teria sido o mandante do assassinato de Marco Esquivel Gonzales, de 32 anos, por uma dívida de drogas. No atentado, morreu também a mulher de Marco, que era sobrinho de Cornélio Esquivel, um dos chefes do PCC na região. Ainda segundo a polícia paraguaia, Bebeto teria contraído dívidas com traficantes, já que recebeu pela remessa de drogas e não as entregou.

Conforme o subcomandante da Polícia Civil do departamento de Amambay, Roberto Fleitas, a hipótese mais provável para a chacina é de um conflito envolvendo integrantes do PCC.

Nos últimos meses, as ações de esquadrões da morte que se intitulam "justiceiros da fronteira" contribuíram para inflar as estatísticas de homicídios na região. As vítimas, em sua maioria envolvidas em furtos e roubos, foram executadas com crueldade e, em vários casos, acabaram degoladas, esquartejadas ou tiveram membros cortados.

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