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Estudo liga plano do País para o clima a um maior aquecimento

Análise internacional é negativa e diz que o Brasil não vai cumprir meta de ajudar mundo a diminuir o aquecimento

por Estadão Conteúdo

17/10/2021 - 05h00

Fotos Públicas

Meta do País era diminuir em 80% - em relação a 2005 - o desmatamento da Amazônia, mas desmate aumentou e índice disparou durante a pandemia: terceiro maior da história

Brasília - O Brasil está longe do caminho para ajudar na manutenção de um mundo até 1,5º C acima dos níveis pré-industriais até 2030. As atuais políticas ambientais do País, se totalmente implementadas, estarão alinhadas com um aquecimento de 3ºC - o dobro do limite previsto pelo Acordo de Paris, assinado em 2015 por 195 países. O alerta foi feito na quinta-feira (14) em relatório da Transparência Climática (Climate Transparency), que reúne ONGs de 16 países.

Nesta sua sétima edição, o estudo analisa todas as economias do G-20 para verificar como estão se saindo nesse desafio. No Brasil, a meta climática do governo, de reduzir as emissões em 43% (abaixo dos níveis de 2005) até 2030 e atingir a neutralidade climática não está em linha com a meta de 1,5ºC.

De acordo com os dados mais recentes do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima, o desmatamento é responsável por quase metade das emissões brasileiras (44%).

"Essas são emissões ineficientes, que não geram PIB, não se ganha nada', diz William Wills, coordenador da parte brasileira do estudo e pesquisador do Centro de Estudos Integrados em Mudanças Climáticas e Meio Ambiente da UFRJ. "Temos de lutar para diminuir (as emissões)", adverte ele.

METAS NÃO CUMPRIDAS

O relatório sublinha que o Brasil estabeleceu metas ambiciosas para reduzir desmatamento em seu Plano Nacional do Clima Mudança, em 2008. A ideia era diminuir em 80% até 2020 em relação ao período 1996-2005. "No entanto, o desmatamento foi aumentando gradualmente e disparou durante a pandemia de Covid-19", adverte o texto.

O documento também afirma que "a administração (Jair) Bolsonaro removeu muitas proteções ambientais para as florestas". O desmatamento acumulado entre agosto de 2020 e julho deste ano na Amazônia, por exemplo, foi o terceiro maior da série histórica, iniciada em 2015, segundo os mais recentes dados do Deter, sistema de alerta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Com a COP-26 na Escócia, olhos se voltam para o Brasil

A previsão é de graves efeitos negativos. Com o aumento da temperatura média global de 3ºC, o País ficará exposto a impactos muito elevados, como secas mais intensas, ondas de calor frequentes, presença maior de temperaturas acima de 35°C e redução de chuvas.

Essa combinação trará problemas tanto para a saúde humana quanto para a produtividade do agronegócio, responsável por importante fatia do PIB. Trata-se de um processo já em movimento. O Brasil teve um aumento médio de temperatura de 2,5ºC nas regiões costeiras entre 1901 e 2012. Os incêndios, em biomas importantes como Amazônia e Pantanal, também estão em alta.

Na véspera da COP-26, na Escócia, que começa no dia 31, há uma expectativa sobre o que o Brasil vai apresentar.

"O mundo já está olhando o comportamento do presidente e dos ministros brasileiros, já entendeu como funciona", avisa Wills.

O Brasil deve ampliar suas metas de redução das emissões dos gases de efeito estufa e reduzir significativamente desmate ilegal para ser protagonista relevante nas discussões, recomendou na quarta-feira a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, que reúne representantes do agronegócio, do setor financeiro, da sociedade civil e da ciência.

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