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Secretários de Guedes pedem exoneração

Ameaça à regra do teto de gastos deflagrou crise no Ministério da Economia e no mercado: dólar sobe e Bolsa despenca

por Estadão Conteúdo

22/10/2021 - 05h00

Antonio Cruz/Agência Brasil

Bruno Funchal, secretário de Orçamento, está de saída

Brasília - A derrota da equipe econômica para a ala política do governo na mudança do teto de gastos para abrir espaço no Orçamento de 2022 para um auxílio de R$ 400 culminou com a demissão em massa dos principais técnicos que assessoravam o ministro da Economia, Paulo Guedes.

O Ministério da Economia informou nesta quinta-feira (21) os pedidos de exoneração do secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, e sua adjunta, Gildenora Dantas. Também pediram para deixar o cargo o secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, e seu adjunto, Rafael Araujo.

A insatisfação da equipe econômica era crescente diante das manobras da ala política do governo para burlar o teto de gastos e conseguir entregar um programa social de R$ 400 exigidos pelo presidente Jair Bolsonaro no ano em que buscará a reeleição.

 A decisão ocorre um dia depois em que o governo definiu um acordo para rever a regra do teto de gastos e fazer uma manobra para abrir espaço no Orçamento para o programa Auxílio Brasil.

GUEDES FICA

Depois da saída de quatro secretários do Ministério da Economia no começo da noite desta quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro afirmou, em entrevista à CNN Brasil, que o ministro Paulo Guedes continua no governo.

A decisão mexeu com o mercado brasileiro: o dólar subiu e a bolsa tombou (leia mais abaixo).

Rombo

De acordo com cálculos do diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), Felipe Salto, o rombo no teto de gastos em 2022 pode ser de R$ 94,4 bilhões caso a mudança na lei considerada a âncora fiscal do País e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos precatórios sejam aprovadas. "O desmonte do teto se confirmará se essas medidas forem anunciadas oficialmente", afirmou Salto em publicação no Twitter.

Dólar sobe 1,92% e fecha a R$ 5,6676

O mercado doméstico de câmbio foi atingido nesta quinta-feira pelo o que analistas costumam chamar de tempestade perfeita. Aos sinais inequívocos de que o governo Jair Bolsonaro está disposto a usar expedientes para driblar o teto de gastos, na tentativa de se cacifar para a corrida eleitoral.

Era evidente o mau humor com declaração do ministro da Economia, Paulo Guedes,na quarta à noite, de que o governo pode pedir um "waiver", uma "licença para gastar" além do que o teto permite para bancar o Auxílio Brasil. Tido outrora como fiador da austeridade fiscal, Guedes disse que a "política é quem decide", admitindo a perda da queda de braço dentro do Palácio do Planalto.

O ministro da Economia também deixou escapar na quarta que o governo trabalhava com uma mudança no cálculo do teto de gastos - uma manobra com cheiro de contabilidade criativa. 

AZEDOU DE VEZ

Foi o que bastou para que o dólar, que havia arrefecido um pouco o ímpeto altista, voltasse a acelerar. O caldo entornou de vez com declarações do presidente Jair Bolsonaro, durante evento em Pernambuco, de que atenderia a demanda de caminhoneiros autônomos de auxílio para compensar a alta do diesel (leia na próxima página). Fontes ouvidas  informaram que a tal ajuda aos caminheiros poderia ser de R$ 400 por mês (de dezembro deste ano a dezembro de 2022), em custo total estimado em cerca de R$ 4 bilhões.

JUROS E BOLSA

Os juros futuros dispararam nesta quinta-feira, com a parte intermediária da curva sendo, a exemplo dos últimos dias, a mais penalizada pela deterioração de risco fiscal. 

O pacote de bondades sendo costurado pelo governo foi recebido pelo mercado com uma apreensão: a de que o manche foi assumido de vez pela ala política para viabilizar a reeleição em 2022.

Assim, no pior momento, com dólar perto de R$ 5,70 na máxima do dia, o Ibovespa mergulhou 4,58%, a 105.713,81 pontos, menor nível intradia desde 20 de novembro de 2020.

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