Bauru

Nacional

Índígena é 1ª criança vacinada contra a Covid-19 no Brasil

Cacique xavante Jurandir Siridiwe, pai de Davi, 8 anos, assistiu online à vacinação do filho que faz tratamento em SP

por Agência Brasil

15/01/2022 - 05h00

GOV/SP

Davi teve a vacinação acompanhada online pelo pai

São Paulo - O menino Davi, um indígena xavante de 8 anos, é a primeira criança na faixa de 5 a 11 anos de idade a ser vacinada no país. Ele recebeu a dose em uma cerimônia simbólica no Hospital das Clínicas de São Paulo.

Davi tem deficiência motora rara e recebe tratamento especializado no Hospital das Clínicas. Ele tomou a primeira dose da vacina da Pfizer/BioNTech, o único imunizante aprovado até o momento pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser aplicado em crianças de 5 a 11 anos. A vacina é feita especialmente para esse público: a dosagem é menor do que a que está sendo aplicada em adultos.

Em entrevista online, transmitida durante o evento, o pai da criança, o cacique xavante Jurandir Siridiwe, que mora no Mato Grosso, agradeceu a vacinação do filho. "Agradeço muito essa compreensão, essa visibilidade, esse diálogo. Que os indígenas tomem vacina", disse ele. "Será seguro quando as aulas voltarem", acrescentou.

SIMBÓLICA

Depois de Davi, outras crianças foram vacinadas no local, como Jean Luca, de 9 anos, que tem atrofia muscular espinhal do tipo 1, e Cauê, de 11 anos, que tem síndrome de Down.

A vacinação de Davi foi simbólica porque a aplicação de doses em crianças só será iniciada, de fato, na próxima segunda-feira (17) em São Paulo. Inicialmente serão vacinadas crianças com comorbidades, indígenas e quilombolas. Depois a vacinação deve seguir por ordem decrescente, iniciando pelas crianças de 11 anos. A população brasileira estimada nessa faixa etária é de cerca de 20,4 milhões, sendo 4,3 milhões de crianças no estado de São Paulo.

Davi foi vacinado pela enfermeira Jéssica Pires de Camargo, a mesma a aplicar o imunizante em Mônica Calazans, a primeira brasileira vacinada contra a covid-19 no país, em ato simbólico no Instituto Butantan, em São Paulo, em janeiro do ano passado. 

Aparato e cadastro

O governo João Doria (PSDB) montou uma operação especial para que o pai do menino Davi Seremramiwe Xavante  pudesse acompanhar ao vivo o momento em que ele se tornou a primeira criança vacinada contra Covid-19 no Brasil.

O cacique Jurandir Siridiwe é morador de uma aldeia xavante localizada no Mato Grosso. Uma equipe da Secretaria de Comunicação do governo foi enviada à localidade e montou o aparato técnico necessário para recepção das imagens.

Nesta semana, o governo paulista lançou o cadastro de vacinação para crianças, para dar mais agilidade no momento da aplicação da vacina nos postos de saúde. O governo estadual solicita que os pais façam o cadastro dos filhos no site Vacina Já. O pré-cadastro é opcional e não é um agendamento, mas agiliza o atendimento nos locais de imunização, evitando filas e aglomerações.

"Retardar vacina por princípio ideológico é desumano"

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), voltou a criticar o governo federal, desta vez, pelo "retardamento" no início da vacinação de crianças. Afirmou que "um governo que retarda a vacina para crianças, por princípios ideológicos, é um governo desumano".

"Lamentável atitude, e eu lamento como governador, como pai, como cidadão e como brasileiro, as postergações feitas pelo governo federal, através do Ministério da Saúde, estabelecendo retardamento desnecessário ao início desta vacinação", acrescentou Doria, durante entrevista coletiva no Hospital das Clínicas de São Paulo.

O ministro Marcelo Queiroga (Saúde) acusou o governador de São Paulo, de "fazer palanque" com o início da vacinação infantil. "O político João Doria subestima a população. Está com as vacinas do governo do Brasil e do povo brasileiro em mãos fazendo palanque. Acha que isso vai tirá-lo dos 3% [de intenção de voto]. Desista! Seu marketing não vai mudar a face da sua gestão", escreveu Queiroga no Twitter.

BARRA TORRES

Doria também fez acenos à Anvisa ao elogiar a resposta do chefe da Agência, Antônio Barra Torres, ao presidente Bolsonaro. O tucano parabenizou o almirante pela "conduta, seriedade e postura" que ele vem adotando "especialmente nos últimos meses".

Para esta semana o governador paulista espera que a Anvisa libere a CoronaVac para crianças, produzida pelo Butantan.

Ler matéria completa

×