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Ex-ministro Milton Ribeiro e pastores são presos pela Federal

Ministro foi preso em sua casa, na praia do Boqueirão, em Santos; agentes federais estiveram no MEC em Brasília

por FolhaPress

23/06/2022 - 05h00

Pedro Ladeira/Folhapress

Policiais federais deixando a sede do MEC em Brasília, ontem

Brasília - A Polícia Federal realizou nesta quarta-feira (22) uma operação contra o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro e pastores suspeitos de operar um balcão de negócios no ministério e na liberação de verbas do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).

Ribeiro e os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, ambos ligados ao presidente Jair Bolsonaro (PL), foram presos. Também foram detidos Luciano de Freitas Musse, advogado e ex-assessor do MEC, e Helder Bartolomeu, ex-assessor da Prefeitura de Goiânia.

Agentes federais estiveram na sede da pasta, em Brasília.

Os dois pastores são apontados como lobistas que atuavam no MEC. A ação desta quarta-feira foi batizada de Acesso Pago e investiga a prática de "tráfico de influência e corrupção.

No mandado de prisão de Ribeiro, o juiz Renato Borelli, da 15ª Vara Federal em Brasília, lista os crimes investigados e que podem ter sido cometidos pelo ex-ministro. São eles: corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência.

OS CRIMES

Os dois pastores, Gilmar e Arilton, negociavam com prefeitos a liberação de recursos federais mesmo sem ter cargo no governo. O fundo concentra os recursos federais destinados a municípios.

Prefeitos relataram pedidos de propina, até em ouro.

Em áudio o ex-ministro Milton Ribeiro disse que priorizava pedidos dos amigos de um dos pastores a pedido de Bolsonaro. Na gravação, o então ministro dizia ainda que isso atendia a uma solicitação do presidente.

Bolsonaro em entrevista à Rádio Itatiaia, disse que o ex-ministro da Educação precisa responder por seus atos.

Ex-ministro não será transferido a Brasília

Agência Brasil

PF alegou riscos caso usasse avião comercial

Após a Polícia Federal alegar risco de segurança e restrições orçamentárias, a Justiça Federal permitiu que o ex-ministro Milton Ribeiro fique em São Paulo e participe da audiência de custódia nesta quinta (23) por meio de videoconferência.

Preso nesta quarta-feira (22) em Santos (SP) no âmbito da Operação Acesso Pago, por suspeita de corrupção de tráfico de influência no Ministério da Educação, Ribeiro teve a transferência ordenada pelo juiz Ronaldo Borelli, da 15ª Vara Federal em Brasília.

Ainda na tarde da quarta, o advogado Daniel Bialski, que defende Ribeiro, acionou a Justiça para tentar reverter a transferência e solicitou que a audiência de custódia fosse por videoconferência.

O pedido foi negado em um primeiro momento pelo magistrado, que reafirmou a necessidade de transferência para a capital federal, mas depois, com os argumentos da PF, a decisão foi revista.

A PF apontou questões financeiras que dificultam a transferência com aeronaves próprias e também risco de segurança para colocar o ex-ministro em um voo comercial.

O advogado também deve acionar o Tribunal Regional Federal da 1ª Região para cancelar a prisão preventiva ou transformá-la em domiciliar.

Ele diz também que a razão da prisão preventiva é "injusta, desmotivada e indiscutivelmente desnecessária".

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