Bauru e grande região

Polícia

Excesso de 'santinhos' no chão derruba até eleitora

Mulher de 64 anos caiu e precisou ser socorrida pelo Corpo de Bombeiros; criança também escorregou na papelada

por Vitor Oshiro/Com Bruna Dias

07/10/2012 - 15h10

Gleise Keller Assunção/Auriverde/Facebook

Uma eleitora ainda não identificada escorregou nos “santinhos” espalhados pelo chão na escola estadual Francisco Alvez Brisola

 

Toda eleição é a mesma coisa. A maior parte dos candidatos adota em suas promessas a questão do meio ambiente, porém, o que se vê no dia da disputa é uma grande quantidade de santinhos espalhados pelas ruas. Ontem, uma eleitora, de 64 anos, caiu, machucou-se e precisou ser socorrida pela Unidade Resgate (UR) do Corpo de Bombeiros.

 

Luciana Lucas estava, por volta das 10h, nos arredores da escola estadual Francisco Alves Brisola, no Núcleo Geisel, quando caiu. Com fortes dores na bacia, ela procurou suportar. A Polícia Militar e os bombeiros prestaram socorro à vítima.

 

“Ela teve uma lesão na região pélvica. Nós a imobilizamos e a levamos ao Pronto-Socorro Central (PSC). Pelo que apuramos, ela já tem alguns problemas de saúde. Quando a socorremos, ela estava mesmo com muita dor”, conta o soldado Rodrigo de Oliveira Massari Lopes, da UR.

 

A cena foi registrada por uma eleitora, que ficou indignada com a situação. “Toda vez é mesmo a mesma coisa. É um absurdo. Eles falam tanto de meio ambiente e fazem isso”, afirma a esteticista Gleise Keller, 32 anos, revelando ainda que ela também quase escorregou e caiu. “E olha que eu estava de tênis”.

 

Em outras partes da cidade, a grande quantidade de santinhos também era visível. No colégio Ernesto Monte, Altos da Cidade, a vítima foi uma criança de 1 ano e 10 meses. Acompanhada pela mãe, a pequena Eliza escorregou e caiu. Por sorte, não se feriu com mais gravidade.

 

Logo após o tombo, Eliza foi erguida pela sua mãe, Karla Poleti. O risco também foi para a mulher, que está grávida de sete meses. 

 

Do ‘pau oco’

 

O entorno da Escola Estadual Ada Cariane Avalone, Mary Dota, também parecia um “mar” de santinhos, cada um com sua estratégia para chamar a atenção, seja em formatos de tábuas ou com letras de cores chamativas. 

 

Para as crianças, a volumosa quantidade de papéis era sinônimo de mais uma brincadeira, entretanto, para as eleitoras Cristina Regina Domiciano, 45 anos, e Conceição Aparecida Picolo, 72 anos, mãe e filha, os santinhos simbolizam a falta de conscientização dos candidatos em relação à poluição. 

 

“Isso é um absurdo. Olhe quanto papel eles jogaram só aqui. Acho que esses candidatos deveriam ajudar a limpar a rua depois”, opinou Cristina.

 

Aos 72 anos, Conceição ainda faz questão de votar e também criticou a propaganda excessiva. “Temos que escolher nossos candidatos com consciência. Acho que jogar esses papéis aqui não faz sentido nenhum, é mais poluição e as pessoas ainda podem escorregar”.

 

Mas ainda há aqueles como, Luciana Rodrigues, também moradora do núcleo, que usou o “mar de santinhos” para uma boa causa. Ela esqueceu o número de seu candidato e procurou o panfleto dele em meio a uma infinidade de papéis na calçada. “Esqueci o número do meu candidato, por isso estava procurando um papel dele aqui”.