Bauru e grande região

Polícia

Raio-x do PCC no Estado cita uma célula em Bauru

12/10/2013 - 05h00

Quioshi Goto

Em 2006, um ônibus foi queimado no Núcleo Geisel e autoria seria da facção criminosa

As investigações de três anos e meio do Ministério Público Estadual (MPE) de São Paulo mostram a ligação de Bauru com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Aqui, de acordo com as apurações, é o local de uma das Sintonias do Interior, espécie de escritórios regionais da organização criminosa.

O organograma citando Bauru foi publicado na edição de ontem do Estado de S. Paulo. Na reportagem, é divulgado o raio-x da facção baseado na maior investigação já feita sobre o PCC. Ao fim, foram denunciados 175 acusados e foi pedida à Justiça a internação de 32 presos no Regime Disciplinar Diferenciado.

A investigação, que envolveu escutas, depoimentos de testemunhas e informações so bre o tráfico, foi conduzida pelos promotores do Grupo Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).

Diante dos documentos, o MPE flagrou os integrantes do PCC em uma rotina grande de crimes, como assassinatos (inclusive de policiais e autoridades), resgates de presos e encomenda de armamento e drogas.

Na estrutura organizacional do PCC, a cúpula da facção é chamada de Sintonia Final Geral. Abaixo dela, está a Sintonia Geral das Ruas, que é a liderança máxima fora dos presídios. As Sintonias do Interior são exatamente as subdivisões regionais dessa liderança das ruas.

Além de Bauru, o organograma aponta que há Sintonias do Interior no Vale do Paraíba, Sorocaba, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Presidente Prudente e Campinas. 

As investigações, cuja denúncia foi assinada por 23 promotores do Gaeco, relatam que o PCC está presente em 22 Estados do Brasil e em três países (Brasil, Bolívia e Paraguai). 90% dos presídios seriam pela facção criminosa.

O MPE detalha que o faturamento é de cerca de R$ 8 milhões por mês com o tráfico de drogas e outros R$ 2 milhões com sua loteria e com as contribuições feitas por integrantes.


30 membros

Em matéria veiculada pelo JC há um ano, foi apontado que o PCC teria, em Bauru e região, 30 integrantes. Cada um deles pagaria R$ 600,00 mensais à facção.

Bauru, justamente pelo tamanho, seria a com maior número de integrantes na região: dez. Depois, viriam Botucatu e Ibitinga, com três integrantes em cada uma. Lençóis Paulista teria uma dupla de mensalistas.

As cidades menores também não escapam da ação do PCC. Municípios como Agudos, Jaú, Vera Cruz, Igaraçu do Tietê, Lins e Promissão teriam, pelo menos, um integrante cada.

Na onda de ataques que São Paulo viveu em 2006, Bauru foi um dos alvos do PCC. Além de rebeliões, o prédio onde funciona a Vara de Execuções Criminais foi alvo de 13 tiros. Também foram registrados disparos contra três delegacias da Polícia Civil e residências de um policial rodoviário e de um agente penitenciário.

Em outra onda de ataques, foram queimados cinco ônibus do transporte coletivo, um caminhão e uma Kombi da prefeitura. Um posto de combustível também foi incendiado.