Bauru e grande região

Polícia

CPP 3 será reconstruído e polícia segue buscas por 41 reeducandos

Segundo a SAP, laudo deve dimensionar o grau dos estragos nos prédios

por Marcele Tonelli

26/01/2017 - 07h00

Fotos: Divulgação
CPP 3, o antigo IPA, ficou destruído após rebelião de terça (24); Núcleo de Engenharia irá realizar o levantamento das partes afetadas na unidade prisional

Destruídos por um motim de presos na última terça-feira (24), os prédios do Centro de Progressão Penitenciária 3 (CPP 3), conhecido como antigo IPA, em Bauru, serão reconstruídos. É o que afirma a Secretaria da Administração Penitenciária do Estado de São Paulo (SAP). Enquanto isso, segue a busca por mais de 40 homens ainda foragidos.

O órgão, por meio de sua assessoria de imprensa, explica que o processo de recuperação “será feito após o Núcleo de Engenharia da realizar o levantamento das partes afetadas”.

Um laudo deve dimensionar o grau dos estragos nos prédios. A presidência do Sindicato dos Servidores Públicos do Sistema Penitenciário Paulista (Sindcop), conversou, na noite de anteontem, com o coordenador de Unidades Prisionais da Região Noroeste (CRN) do Estado de São Paulo Carlos Alberto Ferreira de Souza.

De acordo com o sindicato, ele disse acreditar na recuperação total da unidade e descartou a desativação.

RECAPTURADOS

Durante a rebelião, 152 reeducandos fugiram. Segundo a Polícia Militar (PM), até a noite de ontem, 111 presos haviam sido recapturados, entre as cidades de Bauru, Avaí e Maracaí.

A SAP, por sua vez, informou, em seu último boletim, pouco antes, que 109 detentos foram recapturados.

O Sindcop diz que, após toda as transferências, 660 presos permanecem no CPP 3.

A SAP não confirmou quantos presos foram transferidos e nem quantos permaneceram na unidade, alegando que a negativa se dá por “questões de segurança”.

Segundo o JC apurou, algo em torno de 800 homens foram transferidos,no dia do motim, sob escolta, para presídios de Balbinos, Álvaro de Carvalho, Getulina e Hortolândia.

CALMARIA E ADAPTAÇÃO

A equipe de assessoria de comunicação do Sindicop, que esteve dentro do CPP 3 ontem, relatou ao JC que o clima entre os presos era de calmaria. “Eles estavam ajudando a adaptar o local em que ficarão a partir de agora”, pontua a jornalista Inês Ferreira, assessora do sindicato.
Os reeducandos que permanecem no CPP3, segundo o Sindcop, no local onde antes funcionava um espaço para a visita dos presos. Teriam sido colocados grades nas portas e janelas dos cômodos, que se transformaram em celas.

Rebelião, fuga e pânico

Conforme o JC noticiou nessa quarta-feira (25), 152 reeducandos do fugiram do CPP 3, o antigo IPA, após iniciarem uma rebelião no local. Antes de escaparem, eles ainda incendiaram dois prédios da unidade,

Durante a confusão, um fugitivo e também três agentes se feriram, mas sem gravidade. Não houve reféns e nem mortes.

A versão oficial da SAP é que o caso não tem qualquer ligação com a crise carcerária que abala o Brasil. O órgão afirma que o motivo do motim foi a apreensão de um celular dentro do CPP 3, o que teria desagradado alguns reeducandos.

Contudo, familiares de detentos e pessoas de dentro da unidade não descartam a ligação de facções criminosas como a causa da “virada” do antigo IPA.

O caso ainda teve outro viés bastante peculiar: após muitos boatos disseminados por redes sociais e aplicativos de celulares, Bauru parou nessa terça-feira (24).

Divulgação
Antes de escaparem, reeducandos ainda incendiaram dois prédios da unidade