Bauru e grande região

Polícia

Pai confessa ter permitido que filho dirigisse por 8 quilômetros

Ouvido nessa quinta (18), homem contou que criança já havia dirigido outra vez e ainda disse que carro automático não tem tanta dificuldade

por Ana Beatriz Garcia, Marcele Tonelli e Cinthia Milanez

19/04/2019 - 07h00

Samantha Ciuffa
Delegado responsável pelo caso, Dinair José da Silva ouviu o acusado e a mãe da criança nessa quinta-feira (18)

O pai do menino de 7 anos que foi flagrado ao volante em um Honda/Civic na rodovia Marechal Rondon (SP-300), em Bauru, confessou para a Polícia Civil que deixou o filho dirigir por 8 quilômetros. A afirmação foi feita, na manhã dessa quinta-feira (18), ao delegado responsável pelo caso, Dinair José da Silva, que ouviu também a mãe do garoto. Os nomes não serão divulgados, em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), para não identificar a criança.

De acordo com Dinair, o homem, de 31 anos, alegou que estava com o filho em uma festa em uma chácara, no último domingo (14), e deixou a criança dirigir na volta para casa. "No entanto, ele negou que tivesse ingerido bebida alcoólica. Disse que resolveu entregar o veículo para o filho dele quando voltavam da festa e que o menino teria dirigido por 8 quilômetros até que os policiais os abordaram", diz. "Ele ainda comentou que a garrafa de uísque encontrada no carro apenas estava lá e que ele não teria feito nenhum vídeo do filho dirigindo", completa.

UMA OUTRA VEZ

Ao delegado, o homem ainda relatou que ensinou o menino a guiar em uma estrada de terra. "Ele disse que o carro é automático, por isso não apresentaria tanta dificuldade e, segundo ele, o filho teria dirigido na estrada apenas uma outra vez antes do ocorrido", completa.

Também em depoimento, na tarde de ontem, a mãe da criança afirmou ao delegado que o filho teria contado história diferente. "Segundo ela, o menino teria dito que, ao ver o pai embriagado, tomou à frente para dirigir para que o pai não sofresse ou causasse algum acidente", conta. Conforme o JC noticiou, a mulher é separada do pai da criança há aproximadamente cinco anos e, no domingo, liberou o filho para visitá-lo.

Após o caso absurdo desta segunda-feira, uma liminar expedida pela juíza Ana Carla Criscione dos Santos, por meio da 1.ª Vara de Família, passou a impedir que o homem visite a criança.

MEDIDAS

Os próximos passos da investigação serão ouvir os policiais rodoviários envolvidos na ocorrência e a realização da perícia no veículo. "Por ora, nós instauramos um termo circunstanciado, não só por permitir e entregar a direção de veículo a pessoa não habilitada, referente ao artigo 310 do Código de Trânsito Brasileiro, mas também pelo artigo 232 do ECA, que se refere a submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento", afirma.

De acordo com o Dinar, por ser um crime de menor potencial ofensivo, não cabe o pedido de prisão. "Ele pode ser penalizado de seis meses a dois anos, podendo vir a pagar multas, prestação de serviços a comunidade e restrição de direitos", finaliza o delegado.

O CASO

A criança foi flagrada pela Polícia Rodoviária, na madrugada da última segunda-feira (15), conduzindo um Honda/Civic, na rodovia Marechal Rondon, em Bauru, ao lado do pai. O carro, ainda, não teria obedecido ao sinal de parada.

O homem, de acordo com as informações policiais, estava com uma garrafa de uísque no momento da abordagem na rodovia. Ainda de acordo com a Polícia Rodoviária, no celular do homem, havia um vídeo no qual aparecia o menino dirigindo, sob a sua orientação.

Na ocasião, um boletim de ocorrência (BO) foi registrado e o homem foi autuado administrativamente por confiar direção a uma pessoa não habilitada, por não obedecer a ordem de parada obrigatória, por licenciamento vencido e por má conservação do carro, uma vez que o veículo apresentava problemas envolvendo os para-brisas e pneus.

O veículo foi apreendido. Segundo a Polícia Rodoviária, o homem já foi preso por tráfico de drogas e respondeu por violência doméstica. "Confirmamos, também, que ele teve três vezes o direito de dirigir suspendido", acrescenta Dinair da Silva.