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Polícia

Menino de 8 anos diz ter sido abusado sexualmente dentro de abrigo

Acusado, de 17 anos, e a criança são internos da unidade; ambos têm autismo

por Tisa Moraes

28/05/2019 - 07h00

Um menino de 8 anos de idade relatou ter sido abusado sexualmente por um adolescente de 17 anos dentro de um abrigo de Bauru. Ambos possuem autismo e o acusado também tem esquizofrenia. Em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o nome do serviço de acolhimento e os dos envolvidos não serão divulgados para evitar constrangimentos à criança e aos demais internos.

O caso teria ocorrido na noite de 17 de maio. No dia seguinte, a criança relatou o abuso à avó materna, durante visita ao abrigo, quando ela percebeu que ele com certa dificuldade para andar. Segundo a mulher, de 60 anos, o adolescente teria entrado no quarto onde o menino dormia, introduzido um dedo no ânus da criança e tapado sua boca para evitar que fizesse barulho.

A diretoria da entidade, contudo, afirma que os corredores onde estão os dormitórios possuem câmeras de vigilância e que nenhuma movimentação diferente foi percebida, inclusive pelos dois funcionários que permanecem de plantão no período noturno. "E o adolescente nega qualquer agressão", aponta a coordenadora do local, que também terá a identidade preservada.

NA POLÍCIA

No mesmo dia em que o menino relatou o abuso, a avó foi ao Plantão da Polícia Civil, onde ele foi submetido a escuta especializada com a presença de um psicólogo. No dia 20, a criança passou por exame de corpo de delito. Segundo a diretoria do abrigo, não foram constatadas lesões, informação que a Polícia Civil não confirmou até o fechamento desta edição, já que a reportagem não conseguiu contato com a delegada responsável pelo caso.

Já no dia 21, o menino foi finalmente transferido para outro abrigo. "Agora, eu quero Justiça e vou lutar para ter meu neto de volta. Ele já tem muitos traumas. A mãe está presa e o pai é dependente químico. É muito sofrimento para uma criança", lamenta a avó.

GUARDA

Segundo a mulher, a guarda do menino foi retirada dela "sem motivos pela Justiça". Procurada, a Promotoria da Infância e Juventude informou que foi a avó quem fez o pedido de acolhimento espontaneamente, em janeiro de 2018.

Ainda de acordo com informações do órgão, na última audiência do processo, ocorrida no mês passado, técnicos da rede municipal de assistência e do Poder Judiciário entenderam que a mulher não tinha, naquele momento, condições de saúde para permanecer com a guarda do neto.

A denúncia de abuso segue sob investigação policial. Se a autoria do crime for confirmada, o adolescente responderá por estupro de vulnerável e poderá ficar internado por até três anos na Fundação Casa.

Já a entidade poderá responder por ação de irregularidade, o que pode resultar na suspensão provisória ou definitiva dos diretores, bem como na extinção do serviço.