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Polícia

Acusado de matar modelo pega 12 anos

Leonardo Diego de Oliveira foi condenado na noite dessa quinta (4) pela morte de Ygor Cotrim; homicídio ocorreu no dia 7 de setembro do ano passado

por Marcele Tonelli e Vitor Oshiro

04/07/2019 - 22h10

Samantha Ciuffa
O réu Leonardo de Oliveira; ao fundo, Rosangela do Nascimento, uma das advogadas de defesa
Facebook/Reprodução
Ygor Cotrim tinha 22 anos

Doze anos de prisão. Foi essa a pena atribuída a Leonardo Diego de Oliveira, 25 anos. Ele foi a júri popular, ontem, acusado de assassinar o modelo Ygor Luiz Ramiro Cotrim, em setembro do ano passado, no Centro de Bauru, com um golpe de arma branca. A condenação saiu após um julgamento tenso de quase 10 horas e que teve até uma testemunha detida (leia mais abaixo).

Conforme o JC noticiou, a vítima, que tinha 22 anos na ocasião, foi encontrada, por volta das 4h30 do dia 7 de setembro de 2018. O corpo foi achado com um golpe de arma branca no peito, com os bolsos da calça revirados, sem documentos ou carteira. Ygor trabalhava em um call center, era modelo e ainda fazia trabalhos extras como bartender na Zona Sul.

No dia 21 do mesmo mês, a Polícia Civil prendeu Leonardo Diego de Oliveira. De acordo com as apurações desenvolvidas pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG), imagens de câmeras de segurança mostraram uma briga entre o acusado, a vítima e uma travesti.

As gravações, ainda de acordo com a polícia, apontavam, em determinado momento da confusão, um objeto de aparência metálica caindo. O réu Leonardo pega o item e, pouco depois, outra câmera mostra Ygor cambaleando e caindo na rua Presidente Kennedy.

As gravações também colocavam na cena uma outra pessoa, que seria um morador de rua, furtando a carteira da vítima.

IMAGENS

As imagens foram fundamentais no caso e acabaram sendo exibidas no julgamento por ambas as partes. A defesa, composta pelos advogados Paulo Roberto Ramos e Rosangela Aparecida do Nascimento, buscava a inocência do réu, alegando insuficiência probatória. "A nossa única tese é a negativa de autoria, ou seja, que não foi ele", explica Paulo Ramos, complementando que as imagens não mostram o momento em que Ygor leva o golpe que o matou.

Desde que foi preso, em sua casa no Jardim Bela Vista, Leonardo de Oliveira nega a autoria do homicídio. Segundo ele, o autor seria o desconhecido que furtou a carteira da vítima após a queda.

O promotor Alex Ravanini Gomes, contudo, também mostrou o vídeo e foi incisivo na tese de que Leonardo era o autor do crime. Ele, inclusive, ouviu, como testemunhas, o investigador da Polícia Civil que apurou o caso e uma pessoa protegida que afirma ter visto o réu com uma faca na mão.

O promotor colocou como motivo fútil o fato de, segundo as investigações, o crime ter sido cometido porque a vítima estaria em um ponto de prostituição relacionado a Leonardo.

CONDENAÇÃO

Por volta das 20h30, o júri decidiu por quatro votos (como é a maioria que conta, não é divulgada a totalidade dos outros votos dos jurados) pela condenação de Leonardo Diego de Oliveira por homicídio qualificado por motivo fútil.

A juíza Marina Freire apenou o condenado a 12 anos de prisão, pena mínima, considerando os seus bons antecedentes.

A defesa afirma que irá recorrer da decisão no Tribunal de Justiça.

Testemunha presa

Tenso, o julgamento teve até mesmo uma testemunha detida. Uma travesti, amiga de Leonardo, teria mudado a versão dada à polícia e disse que o objeto metálico que aparece caindo nas imagens era, na verdade, um celular. Em seu depoimento inicial, ela havia dito que se tratava de uma faca. O fato revoltou o promotor, que, inclusive, pediu sua prisão pelo crime de falso testemunho. Por conta disso, ela acabou detida. “Como é de baixo potencial ofensivo, iremos tentar a soltura dela amanhã (hoje) na audiência de custódia”, disse a advogada Rosangela do Nascimento.

Mãe de Ygor: ‘Esperava uma pena maior, mas meu coração está em paz’

Mãe de Ygor, Elisangela Ramiro Cotrim, 40 anos, afirmou que esperava uma pena um pouco maior para o acusado de matar seu filho. Contudo, ela disse "não estar decepcionada com a Justiça".

"Com toda a progressão, sabemos que ele sairá antes desses 12 anos. Então, queria uma pena maior, mas sei que o que podia ser feito, foi feito. Não tenho palavras para agradecer o promotor, o investigador [que atuou no caso] e todo mundo que nos ajudou. Então, de certa forma, estou em paz".

Questionada sobre o seu sentimento em relação a Leonardo de Oliveira, ela não fala em ódio. "Eu não consigo sentir nada em relação a ele enquanto estou com esta minha ferida aberta. A família dele vai ver ele sair de lá (da cadeia) um dia. Eu nunca mais vou ver o meu filho", conclui Elisangela.