Bauru e grande região

Polícia

Mãe de bebê morto é resgatada de possível 'tribunal do crime'

Ela foi encontrada pela PM em uma favela de São Vicente dentro de uma casa

por Marcele Tonelli

10/01/2020 - 05h07

Reprodução Facebook

Mãe de bebê morto, Giulia de Andrade Candido foi ameaçada em São Vicente

Acusada de falso testemunho sobre a morte do próprio filho, Giulia Andrade Candido, 21 anos, foi resgatada por policiais militares do que seria um possível "tribunal do crime", em São Vicente (390 quilômetros de Bauru), no fim da tarde da última quarta-feira (8). Conforme o JC noticiou, ela foi solta em audiência de custódia na última terça-feira (7). Os policiais a encontraram dentro de uma casa cercada por pessoas, entre elas três homens com armas e fuzil.

Segundo a reportagem apurou, os PMs estavam em patrulhamento quando notaram uma aglomeração de pessoas na entrada de um beco, na avenida Sambaiatuba, em São Vicente. A equipe teria visualizado três homens, dois com pistolas e um com um fuzil nas mãos. Ao avistarem a viatura, eles correram e ninguém foi preso.

No interior da casa estava Giulia, que disse aos policiais ter chegado ao local por meios próprios na tentativa de encontrar a casa de um parente. Ela contou ainda ter sido acolhida por uma senhora, que lhe ajudou oferecendo roupas e abrigo. E que não conseguiu mais sair do local, porque fora da casa havia várias pessoas proferindo ameaças e xingamentos.

Ainda em depoimento, contudo, ela teria dito acreditar que seria julgada pelo "tribunal do crime" e que alguém, que não soube indicar, retirou seu celular para evitar o rastreamento pela polícia.

Os PMs conseguiram localizar e devolver o celular da jovem após o relato. O caso foi registrado, inicialmente, como cárcere privado, mas teve a natureza do crime alterada para ameaça, após a jovem ressaltar na delegacia ter sido abrigada pela moradora que lhe ajudou a fugir de populares revoltados. Após o registro, ela foi liberada.

 

Relembre o caso

O episódio é mais um triste capítulo envolvendo a morte do pequeno bauruense Anthony Daniel de Andrade Moraes, de 1 ano e 3 meses, em Praia Grande, na noite do último domingo (5). A criança foi levada já morta ao hospital pelo padrasto, Ronaldo Silvestrini Júnior, e a mãe, Giulia Andrade Candido. O corpo apresentava fraturas na região temporal do crânio, no tórax, na clavícula, nas costelas, no nariz, na mandíbula, além de diversos hematomas na testa e rosto. Ronaldo Júnior, de 22 anos, foi preso acusado de homicídio triplamente qualificado. Giúlia também foi detida acusada de falso testemunho por tentar acobertá-lo. Um dia depois, ela teve sua fiança paga e foi solta.

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