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Polícia

50 anos do Caso Mara Lúcia: desfecho poderia ser outro com perícias atuais

Naquela época, a polícia não tinha recursos como coleta de vestígios e impressões digitais ou banco de dados de DNA

por Cinthia Milanez

11/11/2020 - 05h00

Reprodução

Há 50 anos, Mara Lúcia desapareceu

Em 11 de novembro de 1970, a pequena Mara Lúcia Vieira, de 9 anos, desapareceu da casa onde vivia com a família, em Bauru. Após quatro dias, o corpo acabou encontrado com marcas de uma morte cruel: o seu algoz a estrangulou e a estuprou depois de morta. Passado meio século deste crime bárbaro que, até hoje, não teve uma solução, é possível imaginar que o caso terminaria de forma diferente se a polícia contasse com as perícias atuais.

Titular da 3.ª Delegacia de Homicídios e da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), em Bauru, o delegado Cledson Luiz do Nascimento informa que, hoje, a corporação trabalha com a coleta de vestígios e impressões digitais, o banco de dados de DNA, além das câmeras de monitoramento, algo impensável há 50 anos.

De acordo com ele, o local do crime, desde que preservado, poderia levar os investigadores ao autor. "Eu não tive acesso ao conteúdo do inquérito, mas, em razão da época, imagino que a investigação se limitou aos depoimentos e ao retrato falado", comenta.

Os historiadores Celso Prado e Junko Sato Prado, em seu livro "Mara Lúcia Vieira: um crime sem prescrição", relataram que um menino de 11 anos flagrou a garota caminhando ao lado de um homem. Talvez, ele tenha sido a última pessoa a ver a vítima viva, além do assassino. A testemunha, inclusive, deu subsídios para um retrato falado.

Porém, Nascimento observa que o garoto era muito novo. "Por isso, a polícia, atualmente, lançaria mão de uma escuta especializada através de psicólogos e do próprio Conselho Tutelar", pontua.

CONFRONTO

Os vestígios do local do crime e as imagens das câmeras de segurança do seu entorno, se existissem à época, permitiriam que os investigadores os confrontassem com os eventuais suspeitos. "Antigamente, era mais fácil o indivíduo negar a autoria, afinal, a polícia não possuía qualquer prova concreta contra o mesmo", explica.

Segundo o delegado, a polícia costumava partir do criminoso para o crime. "Você interrogava o suspeito e aguardava uma confissão. Atualmente, nós saímos do crime rumo ao criminoso. Uma cena bem preservada e a busca em suas imediações podem levar ao sucesso de uma investigação", complementa.

Inclusive, a corporação utilizou estes recursos para esclarecer, em poucos dias, o Caso Vitória, que marcou a vida profissional de Nascimento. "O determinante foi o fato de nós termos ido até o local onde ela desapareceu. Lá, também coletamos as informações sobre as características físicas do suspeito e do seu veículo", comenta.

O delegado integrava a equipe de investigação, liderada pelo então titular da DIG, Kleber Granja. O grupo encontrou o corpo de Vitória Graziela Fernandes, de 6 anos, carbonizado em posição fetal, indicando que ela estava viva quando foi queimada. A ocorrência se deu em 2012 e, no ano passado, o acusado pelo crime acabou condenado a 50 anos de prisão.

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