Bauru e grande região

Polícia

PM põe fim a festa clandestina com 300 jovens e é recebida a garrafadas

A corporação precisou usar munição química para acabar com o evento, que ocorreu neste domingo (11), na Vila Industrial

por Cinthia Milanez

13/04/2021 - 05h00

Arquivo Pessoal

Alguns participantes chegaram a invadir as casas no entorno da festa, na Vila Industrial, na tentativa de fugir da polícia

Em meio ao ápice da pandemia do novo coronavírus em todo o Estado de São Paulo, a Força Tática, órgão vinculado à Polícia Militar (PM), dispersou uma festa clandestina com cerca de 300 jovens, no início da noite deste domingo (11), na Vila Industrial, em Bauru. O que chamou a atenção da corporação foi a ousadia de alguns participantes, que teriam atirado garrafas e pedras contra os policiais. Estes, por sua vez, precisaram usar munição química para acabar com o evento. Ninguém se feriu.

Comandante da Força Tática, em Bauru, o 1.º tenente Fabrício Ishikawa informa que, normalmente, quando a polícia chega aos locais das festas clandestinas, a multidão se dispersa sozinha.

Desta vez, no entanto, alguns participantes resolveram hostilizar os militares. "Nós, então, precisamos fazer uso de munição química, como gás lacrimogêneo, para liberar as vias e evitar que qualquer pessoa se machucasse", complementa.

Como os jovens dispersaram rapidamente, a PM não conseguiu identificar os responsáveis pelo evento. Mesmo assim, os fiscais da Prefeitura de Bauru também estiveram no local.

De acordo com uma moradora do bairro, que pediu para ter a identidade preservada por questões de segurança, alguns participantes chegaram a invadir as casas do entorno na tentativa de fugir da polícia. "O meu portão até ficou meio torto, porque alguém tentou entrar, mas não conseguiu", narra.

Ainda segundo a dona de casa, o bairro sempre foi sossegado, porém, há cerca de três meses, os finais de semana se tornaram bastante agitados nas vias próximas a um campo de futebol localizado na rua Arlindo José da Silva.

As aglomerações, conforme informações da mulher, ocorrem aos sábados e domingos, a partir das 15h. "O pessoal começa a soltar pipa neste terreno, mas passa para as ruas do entorno tão logo escurece, porque a iluminação das vias é melhor", observa.

A polícia e a Ouvidoria da prefeitura, de acordo com ela, sempre são acionadas. Neste domingo (11), ambas chegaram só depois das 19h. "Antes deste horário, eu acredito que havia cerca de 600 pessoas espalhadas pelas ruas do bairro", pontua.

Para a dona de casa, boa parte dos participantes é menor de idade. "Nós também observamos a presença de carros com placas de outras cidades. Eu tenho quatro vizinhas que trabalham como enfermeiras do Hospital Estadual e passaram noites em claro por causa dessa bagunça", acrescenta.

SOBRECARGA

Questionado sobre a demora para a chegada da PM, o 1.º tenente Fabrício Ishikawa explica que as equipes ficam sobrecarregadas aos finais de semana, principalmente, devido ao consumo excessivo de álcool, um dos responsáveis pelo aumento das ocorrências policiais neste período. "Uma viatura só não tem condições de dispersar uma aglomeração com mais de 300 pessoas", reforça.

O oficial afirma que a saída está em programar o policiamento para evitar o início das aglomerações. "Eu pretendo levar a demanda para o comandante da área, que deverá direcionar as equipes para o patrulhamento preventivo", comenta.

Por isso, o 1.º tenente destaca a importância de a população acionar o 190 sempre que constatar alguma festa clandestina. "Assim, nós conseguimos direcionar o policiamento para os locais onde há maior incidência deste tipo de ocorrência", frisa.

Além da Vila Industrial, a polícia já tem conhecimento de eventos do tipo na Quinta da Bela Olinda, no Santa Edwirges e na região do Alphaville, onde pretende atuar com o patrulhamento preventivo.

SERVIÇO

Para denunciar qualquer festa clandestina, basta acionar a Ouvidoria através do telefone (14) 3235-1156. O órgão atende diariamente, das 8h até a meia-noite. Depois, é necessário contatar a PM pelo 190.

Problemas na Ouvidoria

A reportagem recebeu uma série de denúncias envolvendo o fato de ninguém atender ao telefone da Ouvidoria neste final de semana. A assessoria da prefeitura atribui o fato à alta demanda.

Ainda segundo o órgão, quando a linha está ocupada, ela continua tocando para o interlocutor e dá a impressão de que não há ninguém para atender. Diante disso, o município orienta a população a fazer a sua denúncia pelo WhatsApp (14) 3235-1156, pelo e-mail [email protected] ou pelo site www.bauru.sp.gov.br/ouvidoria.

No período noturno, a Secretaria Municipal de Saúde tem equipes de fiscalização nas ruas de quarta-feira a domingo, das 18h até a meia-noite, com as denúncias sendo repassadas de imediato para os fiscais. Após este horário, os cidadãos devem acionar a PM.

Atualmente, a Ouvidoria conta com sete atendentes, sendo quatro colaboradores do Poupatempo e três da prefeitura, divididos em três períodos.

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